site Amigo da Luz

Aquelas flores de sábado para Nossa Senhora

flores-maria

Nada passa despercebido para a Mãe Santíssima!

Vivia em Paris uma senhora piedosa e muito devota de Maria Santíssima. Era sua alegria enfeitar a imagem de Nossa Senhora com lindas flores naturais.
Seu marido, mesmo sendo homem sem fé, trazia flores aos sábados para que a esposa tivesse o prazer de colocá-las diante da imagem da Virgem.
Aconteceu, porém, que o homem morreu repentinamente, sem ter tempo de receber os santos sacramentos. Grande foi a dor da viúva, que temia pela salvação do marido.
Na sua aflição, procurou o santo cura d’Ars, pe. João Maria Vianney, que, recebendo-a, antes de ouvir uma só palavra dela, disse:
“Minha filha, console-se; a alma do seu marido está salva. Nossa Senhora, recompensando-lhe as flores que oferecia aos sábados, alcançou-lhe a graça da contrição perfeita, de maneira que recebeu, na última hora, o perdão dos seus pecados”.
Eis como nada passa despercebido para a Mãe Santíssima!
_______________

Extraído da revista “O Calvário”, dos padres passionistas, número 3, março de 1961, via blog Almas Castelos.

Site Aleteia

Ciência e fé: mal-entendidos

science-and-faith-2

Num dia desses tirei um tempinho para assistir a alguns vídeos no YouTube com discussões sobre filosofia, ciência e fé, bem como sobre criacionismo e evolucionismo. Fiquei impressionado com os mal-entendidos e conceitos truncados, imprecisos e incompletos, além de puros e simples preconceitos! Não é à toa que muitos pensam que fé e ciência sejam incompatíveis! Com determinadas visões de ciência e certas visões de fé, não é para menos!
Resumidamente, como este espaço permite, é preciso que se compreenda o seguinte: (1) Não há contraposição entre criacionismo e evolucionismo do ponto de vista bíblico. (2) Desde os anos 50 do século passado a Igreja tem deixado claro que as narrativas bíblicas da criação pertencem a um gênero literário poético: Deus criou tudo, tudo é bom, tudo foi tirado do nada para a glória de Deus, a misteriosa realidade do mal é fruto de um não a Deus dado pela criatura, o homem é imagem de Deus, tudo caminha para Deus. É isto que os relatos da criação desejam ensinar. (3) Há um tremendo mal-entendido de muitos cientistas sobre o que significa a palavra Deus bem como sobre o Seu modo de agir!
Deus não é um ser entre outros, que possa ser apreendido, descrito, "quantificável". Ele é o Ser; rigorosamente falando, Ele não existe; Ele É! É presente no mais íntimo da
menor e mais fugaz partícula subatômica e envolve o universo todo (ou milhares de outros que possam existir, segundo a imaginação mais fantasiosa que real de alguns astrofísicos...): Ele é o mais Além e o mais Aquém de tudo! Sobre Deus, a ciência não tem nada a dizer, simplesmente porque Ele escapa totalmente ao seu campo de estudo e competência. Fico impressionando quando vejo cientistas que, falando de Deus, de repente extrapolam seu campo e tornam-se filósofos ou teólogos de má qualidade...
Outro mal-entendido: o modo de pensar a ação de Deus no mundo. Dou alguns exemplos: se é a liberdade humana quem age, então não é Deus; se é Deus, então não é a liberdade. Assim, para libertar o homem, é necessário eliminar Deus. Outro exemplo: se se consegue explicar os dinamismos da matéria, da gravidade, da energia, a evolução do universo e a evolução dos seres vivos, então Deus não existe... Aí aparecem com toda força a compreensão tortíssima de quem é Deus e da qualidade da Sua ação! Exatamente porque Deus não é um ser entre os seres, mas é o Ser que cria soberanamente e sustenta continuamente tudo no ser, Sua ação criadora é contínua e total e não vem de fora para dentro do mundo criado, mas age no íntimo mesmo da matéria e da vida. Assim, uma flor se abre porque Deus continua criando, uma estrela explode porque Deus continua agindo, o vento sopra porque Deus continua Sua obra! Mas, e as leias da natureza? São obra contínua de Deus, que é amorosamente fiel à Sua criação! A evolução mesma é obra da contínua e perene ação de Deus, que tudo dirige, governa e conduz segundo Sua misteriosa sabedoria, que nos ultrapassa!
Então, isto significa que não se pode perceber os rastros de Deus na Criação? Pode-se sim! (1) O próprio fato de existir o ser e não o nada, grita pela questão: donde vem tudo? Quem deu a tudo o ser e a consistência? E esta incrível ordem, mesmo em áreas de aparente desordem? Como do nada pôde surgir tudo? Nenhum cientista tem uma resposta científica para tais questões. Os que se metem a respondê-las extrapolam o método científico e começam a fazer filosofia, na maioria das vezes, de má qualidade...
(2) Se pensarmos bem, olhando a criação e a inteligência e o coração humanos, temos que nos perguntar por uma Inteligência infinita, que nos ultrapassa totalmente e tudo criou para Si! O mal é querer medir Deus por nós, engaiolando-O no nosso estreito limite!
(3) Mas, tem mais: quantas vezes diante da beleza da criação e da vida com seus acontecimentos, temos a intuição fortíssima da existência e da presença desse Criador amoroso, verdadeiro poeta? Reduzir o conhecimento humano ao racional é ridiculamente desumano! Até mesmo descobertas científicas são realizadas, às vezes, seguindo-se a intuição... E é bom ter bem presente que no caso da persistente intuição que o coração e a inteligência humana têm da existência de Deus, não se trata de um tema periférico da vida, mas do fundamento mesmo da existência. Trata-se de uma intuição que poderíamos chamar de arquetípica, ponto de o homem não conseguir jamais escapar da noção de Deus – a não ser para cair na noção de deuses falsos, verdadeiras armadilhas que tiranizam e desfiguram o homem!
(4) E o mais que tudo: a tremenda e perturbadora questão do Sentido! Por que e para que tudo existe? E eu, com meus sonhos e desejos infinitos? E a inteligência e consciência do ser humano? Não será a neurociência ou qualquer outro ramo da ciência que poderá responder a este tipo de perguntas. Aqui entra a filosofia e, em última análise, a religião!
A discussão entre fé e razão, entre ciência e religião sempre foi muito problemática devido às intolerâncias e preconceitos de ambas as partes. Atualmente, pelo menos na nossa cultura ocidental, o grande preconceito e intolerância parte, sobretudo, da visão estreita de alguns cientistas. Seria preciso humildade para escutar o outro, para perceber os vários campos de abordagem da realidade, aceitando os limites do seu próprio campo de estudo. Se se levasse isso em conta, haveria bem menos mal-entendidos e bem menos bobagem nas opiniões sobre o tema...

Dom Henrique Soares da Costa

O que você tem feito para levar o Evangelho aos gays?

amigas

Durante a coletiva de imprensa no voo Armênia-Roma, o Papa Francisco voltou a falar sobre a necessidade de acompanhamento pastoral das pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo. Como sempre, o oba-oba da imprensa dá uma visão deturpada do evento; e mais um vez, a gente vem aqui colocar o preto no branco!

Uma afirmação do Papa, em especial, deve nos provocar, nos fazer sair do comodismo: ele disse que nós cristãos devemos pedir desculpas aos gays.

“A Igreja deve pedir desculpas por não ter se comportado tantas e tantas vezes – e quando digo ‘Igreja’ entendo os cristãos; a Igreja é santa, os pecadores somos nós!” (Papa Francisco)

E você… O que tem feito para ajudar a Igreja na missão de acolher e anunciar a Boa Nova aos gays? A sua paróquia possui algum grupo voltado especificamente para esse fim? Se não tem, você já falou com seu pároco sobre a necessidade de uma pastoral voltada para esses irmãos?

Quanto a nós de O Catequista, podemos dizer que nossa missão, nesse sentido, era inexistente. A revolução veio há pouco mais de um ano, quando tivemos a graça e a alegria de conhecer o Apostolado Courage, que ajuda as pessoas que têm atração pelo mesmo sexo a viverem casta e dignamente sua condição de filhos e filhas de Deus.

Foi o Courage que nos levou a ver o lado humano dessas pessoas, que antes, para nós, eram todos como soldadinhos purpurinados do Jan Uílis, a quem tínhamos que combater. A luta contra a agenda política gay e a nefasta ideologia de gênero é válida e precisa ser enfrentada. Mas se você só vê esse lado da questão, você está ficando de fora da melhor parte: viver a misericórdia e a missão!

Pelo que temos visto, somos obrigados a dizer que a acolhida pastoral que nós católicos oferecemos aos gays é uma lástima! Falamos sobre isso no nosso Catecast “Gays, católicos e corajosos” (ouça aqui).

Alexandre e eu já perdemos a conta de quantas vezes falamos – ou tentamos falar – com amigos padres e leigos sobre o Apostolado Courage. Mas pouquíssimos foram aqueles que se interessaram em convidar o Courage para promover ações em sua paróquia ou comunidade.

Enquanto os bons católicos desprezam esse apostolado, o demônio não perde tempo: proliferam grupos gays “católicos” que pregam um cristianismo sem cruz, um catolicismo deformado, que dispensa a mudança de vida e a conversão. Esses ganham espaço nas universidades católicas, nas paróquias, na mídia!

E a culpa dessa bagunça toda é de quem? A culpa é exclusiva dos maus pastores, traidores e mal-intencionados? Não! A culpa é também dos “bons” que cruzam e fecham os ouvidos aos apelos do sumo-pontífice para que os gays sejam acolhidos de braços abertos na Igreja.

Em muitas paróquias, o acolhimento aos gays se resume a deixá-los a par da moral da Igreja e lhes dar uns tapinhas nas costas. E depois lavamos as mãos! Achamos que basta tacar a Bíblia e o Catecismo na cara das pessoas…

“Devemos acompanhar bem [os gays], de acordo com o que diz o Catecismo. O Catecismo é claro!”

Vejam o que disse o Papa: acompanhá-los DE ACORDO COM O QUE DIZ O CATECISMO. Ou seja: sem recuar uma vírgula na doutrina! O Novo Testamento e a Tradição não deixam dúvidas de que os atos homossexuais são pecados graves, que afastam as pessoas da amizade com Deus. E quem vier com papinho furado de “mas vocês cristãos não seguem todo o Levítico…”, leia o nosso post e pare de falar asneiras: Livro do Levítico – Aprenda a refutar os trolls.

E, não, não basta comunicar leis e regras! Nossa missão é ser o rosto e o abraço de Cristo para os demais. Como o Bom Pastor, que não sossega enquanto TODAS as ovelhas não estiverem seguras, no aprisco. Se 99 estiverem seguras, e uma estiver perdida, ele deixa as 99 e vai atrás daquela uma que está distante. E você? O que tem feito para imitar o Bom Pastor?

Por A Catequista

bom pastor

5 passos para começar a vencer a depressão

cachorro

Dicas simples que podem ajudar as pessoas que se sentem presas a este grande mal que aflige nossa sociedade

A solidão, a tristeza e a depressão fazem parte de um mesmo problema que parece atacar a sociedade de maneira cada vez mais pronunciada. Não é difícil encontrar pessoas que se queixam da sua solidão ou da impotência que sentem ao não conseguirem consertar as coisas que lhes causam tristeza ou algo mais profundo.
Lembrando que a depressão precisa ser tratada o quanto antes por profissionais especializados, eu gostaria de compartilhar algumas indicações que podem ser de ajuda para encontrar caminhos de vida para as pessoas que se sentem no meio de um buraco negro, úmido e frio.

Leve em consideração que os seguintes conselhos não substituem uma terapia nem são de aplicação universal. Se forem úteis para você, aproveite:
1. Cuide das suas rotinas: sono, vigília, alimentação, exercício (caminhar, por exemplo, é um excelente primeiro passo). Em geral, começar a apropriar-se da sua vida faz bem, iniciando pelas condutas de autocuidado.
2. Tenha foco no presente, porque o passado não pode ser mudado e o futuro não existe. Se a pessoa fica olhando para as dificuldades anteriores, ela se frustra e, se pensa no que está por vir, se angustia.
3. Comece dando um passo de cada vez: não pretenda solucionar todos os problemas em uma só tarde, porque, novamente, a angústia vai surgir ao ver uma lista tão grande de pendências.
4. Procure ser útil: uma pessoa, mesmo com depressão, pode prestar um serviço aos outros ou a si mesmo. Esta experiência de ajudar a diminuir a dor do outro, ou de ajudá-lo a ser feliz, é algo que cura, porque, entre outras coisas, induz a pessoa a deixar de olhar o tempo todo para si mesma, para os próprios problemas, caindo na autocompaixão.
5. O apoio espiritual e o terapêutico são especialmente necessários para deixar o passado para trás, perdoar os outros e perdoar a si mesmo, bem como para construir uma agenda que permita enfrentar o futuro com esperança.
A depressão não pode ser curada em um final de semana, mas a minha experiência ensina que as pessoas que seguem estes conselhos, especialmente o último, conseguem superar esta dificuldade e reencontrar-se com sua vida.

(Por Saulo Medina Ferrer, psicólogo)

Site Aleteia

Fulton J. Sheen – Sobre o Egoísmo

Fulton-Sheen

CAPITULO XIX

“A Característica da criança é a ausência de qualquer intervalo entre o desejo e a sua satisfação. Logo que uma necessidade, um ímpeto se apoderam do espírito da criança, logo ela procura satisfação imediata. Esta é uma das razões por que as crianças choram com tanta facilidade. Quando essa característica se mantem na vida do adulto – muitas vezes assim sucede – podemos realmente chamar-lhe infantilidade. Observa-se isto, sobretudo em adultos que, quando sentem a necessidade de fumar um cigarro, ficam infelizes até satisfazerem o seu desejo. Quantas pessoas haverá no mundo, capazes de negarem a si próprias a satisfação de fumar um cigarro, só como prova de autodomínio, ou porque desejam oferecer o mérito do sacrifício pelo amor de Deus e pelos pecadores do mundo?
Todo ser humano é propenso ao egoísmo. Oscar Wilde disse uma vez: ‘O amor por nós próprios é o começo de um romance que dura a vida inteira. ’ O egoísmo pode manifestar-se na jactância, na vã vaidade em procurar o melhor lugar à mesa, em aborrecer os outros – porque um massador já foi descrito como o homem que nos priva da solidão, sem jamais servir de companhia. Nunca se viu pessoa alguma que monopolizasse a conversa, sem correr o risco de a tornar monótona. Uma rapariguita, numa festa, ao ver outra convidada mesmo na sua frente pegando numa fatia de bolo, exclamou: ‘Que gulosa tu és; pegaste na fatia maior! Era a que eu queria para mim’.
Quando os excessos começam a manifestar-se, pouca gente há capaz de tomar a resolução de contrariar os seus desejos; todavia a resolução é a única coisa mais forte ao nascer do que em qualquer outra altura. As resoluções morrem novas, como acontece aos bons. O egoísmo manifesta-se por meio do orgulho, ambição, luxúria, gulodice, inveja e preguiça. A idéia básica desta filosofia é que devemos satisfazer todas as nossas vontades a todo o momento, e, já que este mundo é a única coisa que possuímos, devemos extrair dele quantos prazeres nos for possível obter.
Devemos lembrar-nos que existe outra filosofia ao lado do egoísmo. Esta outra filosofia pode resumir-se toda no princípio: primeiro jejum, depois a festa. A filosofia do egoísmo dá a primazia à festa, e deixa para o dia seguinte as renúncias e os lamentos. A filosofia do autodomínio crê no autodomínio, isto é, crê que cada um pode e deve ser capitão e senhor do próprio destino, se tiver vontade firme. A filosofia do egoísmo significa que só os outros devem se mandados. Formas externas de escravidão, tais como maus hábitos, propensão excessiva para as bebidas, acabam por fazer prisioneiro o eu, pois não existe unidade interna para opor ao exército invasor. Logo que a tentação se apresenta, a personalidade sucumbe.
A melhor definição da filosofia da autodisciplina e do autodomínio é-nos dada por Nosso Senhor, a quando duma visita feita pelos Gregos. Os Gregos não se dedicavam à filosofia do prazer como acontece com a nossa civilização ocidental; em todo caso não podiam compreender sacrifício ou amor, capazes de sofrimento em busca de um lucro maior, todo espiritual; o seu sistema desconhecia os dois extremos. Aproximaram-se primeiramente de Filipe, talvez por este vir de uma cidade que havia sido influenciada pela civilização grega, talvez também porque o seu nome era grego. Diziam os gregos qual seu desejo de ver Nosso Senhor. Por sua vez, Filipe comunicou este desejo a André, detentor também de um nome grego. Houve então uma conferência entre os dois apóstolos com nomes gregos. Não sabemos qual o motivo por que os Gregos ousaram pretender ver Nosso Senhor. Pode ser porque Ele dissera que o templo seria casa de oração ‘para todas as nações’. Resolução tão revolucionária deve ter agitado os Gregos, que escutaram um dia estas palavras de Alexandre: ‘Deus é pai comum de todas as nações. ’ Não sabemos precisamente por que motivo queriam encontrar-se com Nosso Senhor, mas é-nos lícito supor que vinham solicitar a resposta que Ele lhes deu.
Provavelmente, disseram-lhe que anteviam para Ele cólera, crescendo cada vez mais, ira e decerto a morte à Sua espera. Pode ser que Lhe dissessem: ‘Se ficardes aqui, morrereis e a vossa vida como Mestre em breve terminará. Vinde para a nossa grande cidade de Atenas, a cidade dos homens sábios. Só uma vez matamos um dos nossos mestres, Sócrates, e nunca mais deixamos de lamentar essa morte. Se vierdes connosco é bem natural que organizareis um estado como o de Sólon ou abrireis uma escola de Peripatéticos, como fez Platão, tão grande é a vossa ciência, ou então podereis fazer reviver e criar dramas à moda de Ésquilo. Todos os conhecimentos, toda filosofia, tudo o que é intelectualidade no mundo veio a nós. Vinde connosco. Sentai-vos no Areópago e viveremos a ouvir-vos. ’
Eis decerto o teor das palavras dos Gregos, pois Nosso Senhor respondeu-lhes assim: ‘ Para o Filho do Homem chegou o momento de concluir a obra da sua glória. Acreditai-me, quando vos digo: um grão de trigo tem de se sepultar na terra e morrer, ou nunca será mais do que um grão de trigo; mas, se morrer, dará rico fruto. Aquele que ama a sua vida perdê-la-á, aquele que desprezar a própria vida neste mundo salvá-la-á, e viverá eternamente. ’ Nosso Senhor disse aos Gregos: ‘Vós não desejais que eu permaneça aqui; quereis que salve a vida. E eu digo-vos que há duas coisas que podeis fazer a uma semente. Podeis comê-la ou podeis semeá-la. Se a comerdes, dar-vos-á um prazer momentâneo. Se a semeardes, sofre, é crucificada, é enterrada na terra; mas multiplica-se e ressurge numa vida nova. Deixai que vos diga que me considero a semente. Não vim ao mundo para viver; vim para morrer. A morte para o vosso Sócrates foi um obstáculo; interrompeu os seus ensinamentos. Para mim, porém, a morte é o alvo da minha vida; é o alvo que procuro. Sou o Único que jamais viveu a vida de trás para diante. Vim para morrer como a semente; assim como vós admirais o homem que dá a vida voluntariamente para salvar um outro homem de morrer afogado, também eu vim para morrer, de maneira a poder salvar a humanidade. Eu não sou um homem como os outros; sou Deus e homem. Não sou um Mestre. É por isso que me convidas para que eu vá a Atenas ensinar. Mas eu sou essencialmente o Salvador, o Redentor. É possível que tenhais escutado o Sermão da Montanha e agora desejásseis ouvir pregar em Atenas esta sabedoria. Não sabeis que existe íntimo e absoluto parentesco entre a montanha das Bem-aventuranças e o Monte do Calvário?’
‘Que venha alguém a um mundo freudiano e diga: ‘ Bem-aventurados os limpos de coração’, e será crucificado. Que venha alguém ao mundo atômico e diga: ‘ Bem-aventurados os mansos’, e trespassar-lhe-ão mãos e pés com cravos agudos. Que venha alguém ao mundo endoidecido à busca do prazer, e diga: ‘Bem-aventurados os que sofrem perseguições’, e coroá-lo-ão de espinhos. Não vos vanglorieis que me pouparíeis a vida se eu fosse para Atenas; dentro de um ano, a minha sentença de morte estará escrita em grego sobre minha cruz. A morte não será, porém a morte. Ninguém pode tirar-me a vida. Sou eu que me despojo da vida. Enquanto viver, a minha existência é semente por plantar, valiosa em mim, mas quando, como semente for plantado no terreno do Calvário, então desenvolver-me-ei em novas vidas, em aumento sempre constante. Este aumento não virá a despeito, mas sim em virtude da minha morte, que será seguida pela Ressurreição. Esta é a minha glória. ’”

SHEEN, Fulton. A Vida Faz Pensar. Trad.: Maria Henriques Osswald.  Porto: Editora Educação Nacional, 1956. Pg. 280

SHEEN, Fulton. A Vida Faz Pensar. Trad.: Maria Henriques Osswald. Porto: Editora Educação Nacional, 1956. Pg. 280