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Na Bíblia busco a Jesus

bibliaMinha mãe Domênica me ensinou a amar e respeitar a bíblia. Ela não sabia nem ler e nem escrever, mas tinha em casa uma bíblia grandona, cheia de desenhos que ela guardava dentro do baú, junto com as coisas mais preciosas, as poucas fotos de meu pai, as imagens de Nossa Senhora do Conforto, e também o pouco dinheiro que tinha e era precioso para poder fazer frente às dificuldades do pós-guerra. Mas o meu encontro com a bíblia se deu aos meus vinte anos, quando entrando no Carmelo me deu vontade de ler a bíblia e pedi uma ao meu mestre, cuja resposta não foi muito animadora: “para que você quer ler a bíblia?” Deu-me uma bíblia em latim com uma recomendação: não leia o Levítico e nem o Cântico dos Cânticos”.

 Depois de muito trabalho e pesquisa encontrei os nefandos livros. Do Levítico não gostei muito, não despertou nenhum interesse naquele momento, mas gostei e muito do Cântico dos cânticos e compreendi que se todos os livros da bíblia são divinos o Cântico dos Cânticos é diviníssimo e “não suja nem as mãos e nem o coração”, como diz o rabino Bem Assai. Mas lentamente o meu amor pelo Antigo Testamento foi diminuindo e foi entrando um amor paixão pela Nova Aliança,  onde a pessoa de Cristo é fonte, centro, início e fim. Na Escritura comecei a buscar o rosto de Cristo, um rosto que cada vez mais me seduz, me encanta e me deixa enamorado deste Cristo que, tão humano e tão divino, se fez carne para revelar-nos o Pai e nos ensinar como devemos viver aqui e agora nesta terra  como pessoas felizes.

 

 

Ele, Jesus, quis dar-nos um projeto de vida, um plano para viver sempre felizes em quaisquer situações em que nos encontrarmos. Que supera a poesia, a beleza, o realismo das bem-aventuranças?  É nesta ladainha e neste preceito de alegria que Jesus transborda todo o seu amor para conosco. Nada poderá impedir a nossa alegria nem as perseguições, nem morte, nem pobreza e nem guerra porque a paz está no mais íntimo de nós mesmos. Como podemos permanecer insensíveis diante deste projeto de caminhada oferecido a cada pessoa por Jesus que do alto da cruz nos recorda que é possível, mesmo morrendo, sermos felizes?

Jesus está na escritura com sua presença e palavra, mas muito mais com seus gestos pequeninos, simples como quando ele, sentando-se no meio da multidão, conta com a doçura de sábio as parábolas que vai nascendo da vida de cada dia, carregadas e grávidas de mensagem que todos podemos compreender. Eu, na minha ignorância, não consigo compreender as explicações difíceis da parábola dos dois irmãos ou do bom semeador, mas compreendo perfeitamente as palavras de Jesus que me satisfazem.  Na escritura Cristo se aproxima de nós com passos delicados, com atenções amorosas e nos coloca como ovelhas feridas e machucadas nos seus ombros de bom pastor e nos conduz de novo ao redil. Ele vai pelos montes, pelas estradas e nos chama pelo nome.

É nas Escrituras que Jesus nos mostra que não devemos ter vergonha de sermos amigos dos que não tem ninguém, dos marginalizados, dos que vivem excluídos porque não se comportam segundo os “padrões” de pessoas de bem, mas que lutam para se libertar dos vícios, dos pecados e das amarras. Com Jesus se aprende a não ter medo de ninguém a não ser do mal que está em nós e fora de nós. É Jesus de Nazaré que percorre de novo as nossas cidades e grita contra o farisaísmo deslavado que quer “domesticar” o evangelho e fazer um Cristo segundo  a mentalidade burguesa e indecente que não vê mais nada a não ser o ter como próprio deus “o ventre e o corpo”, como diria o apóstolo Paulo. Nas escrituras tenho passeado para encontrar Jesus e sempre o tenho encontrado vivo, presente e amoroso. Ele não condena, ele faz terapia de choque para ver se nos convertemos. Ele nos joga no rosto o que somos sem meios termos, esperando que “caindo em nós mesmos”(Lc 15,17) retomemos o caminho de casa. Na nova aliança, no Novo Testamento, busco Jesus e o encontro como amigo, exigente como sempre, mas que me ama e perdoa, e me incentiva a continuar o caminho, “não fazendo aos outros o que eu não quero que os outros me façam.”

 Frei Patrício Sciadini, ocd.

Comentários   

 
0 #2 Onofre 05-03-2014 14:20
Gostaria de obter explicação sobre do versículo 6 do capítulo 1 do livro de São Mateus.

Grato,

Onofre
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0 #1 camila de sousa melo 15-10-2013 17:03
queria comentar uma passagem na biblia de bartimeu que era um homem sedento por jesus e isso pra mim e fundamental hoje porque cada vez mais somos bartimeu por completo nesse mundo contemporaneo que esquece de tudo o que deus ensina e de ter nela 365 vezes a citaçao nao tenhais medo meu filho o que jesus fala a todos os que tem vida e escassez dela e tera vida em abundancia pelos seculos dos seculos.amem por todo sempre.amem..
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