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O que dizem os santos sobre o carnaval e a necessária reparação

the-devil-rises-and-falls-again-in-colombia-113-body-image-1421177853-1024x682Carnaval é tempo dos espetáculos profanos, dos bailes de mascarados, das danças e orgias que se multiplicam nas vésperas da Quaresma, mormente nos três dias antes da Quarta-feira de Cinzas. Perder tempo, exagerar as despesas, fazer da barriga seu deus, fingir que está alegre, encher a alma com imagens e pensamentos indecentes, avivar o fogo das paixões, atirar-se de caso pensado aos maiores perigos… não será isto diretamente oposto ao Cristianismo que prescreve o bom uso do tempo, prudente economia, a temperança, a vigilância nos sentidos, a mortificação das paixões e a fuga dos perigos? Deixam após si, estes dias de pecados: tantas vítimas de impureza, de embriaguez e milhares de famílias na vergonha e na miséria.

Mas afinal, o que dizem os Santos, bastiões da virtude, sobre esta festa?

Santa Faustina Kowalska diz:

Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista.

(Diário, 926)

Santa Margarida Maria Alacoque escreve:

Numa outra vez, no tempo de carnaval, apresentou-me, após a santa comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo, agora?

(Escritos Espirituais)

São Francisco de Sales dizia:

O carnaval: tempo de minhas dores e aflições.

São Francisco de Sales, enquanto durava o carnaval, fazia o retiro espiritual para reparar as graves desordens e o procedimento licencioso de tantos cristãos.

São Vicente Ferrer falava:

O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição.

O Servo de Deus, João de Foligno, dava ao carnaval o nome de:

“Colheita do diabo”

Santa Catarina de Sena, referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços:

Oh! Que tempo diabólico!

Santo Afonso Maria de Ligório escreve:

Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação, Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto, os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer e por um divertimento momentâneo. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm vergonha de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o Santo Nome de Deus. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus. Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes […]

Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender que é Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.

É por isso que os santos, a fim de desagravarem o Senhor de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo do carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e realizar exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente.

Numa palavra, todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na presença de Jesus Sacramentado ou bem recolhido em tua casa, aos pés de Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas.

O meio para adquirires um tesouro imenso de méritos e obteres do céu as graças mais assinaladas, é seres fiel a Jesus Cristo em sua pobreza e fazer-lhe companhia neste tempo em que é mais abandonado pelo mundo. Como Jesus agradece e retribui as orações e os obséquios que nestes dias de carnaval lhe são oferecidos pelas suas almas prediletas!

(Meditações)

Santa Teresa dos Andes diz:

Nestes três dias de carnaval tivemos o Santíssimo exposto desde a uma, mais ou menos, até pouco antes das 6 h. São dias de festa e ao mesmo tempo de tristeza. Podemos fazer tão pouco para reparar tanto pecado…

(Carta 162)

Da mesma forma, conta-se na hagiografia de São Pedro Claver:

Um oficial espanhol viu um dia São Pedro Claver com um grande saco às costas.
— Padre, aonde vai com esse saco?
— Vou fazer carnaval; pois não é tempo de folgança?
O oficial quer ver o que acontece: acompanha-o.
O Santo entra num hospital. Os doentes alvoroçam-se e fazem-lhe festa; muitos o rodeiam, porque o Santo, passando com eles uma hora alegre, lhes reparte presentes e regalos até esvaziar completamente o saco.
— E agora? – pergunta o oficial.
— Agora venha comigo; vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de carnaval.

Resta-nos questionar então, enquanto fiéis católicos, o que há de se fazer nestes tempos nefastos para que a influência de Satanás seja ao menos um pouco repreendida pelos nossos atos de amor à Jesus Cristo Deus, cujo Preciosíssimo Sangue derramado em expiação de nossos pecados é pisado e escarnecido não só pelos pagãos e pelos cristãos que tomam parte nesta podridão mas também por aqueles que se dizendo de Deus escondem suas paixões em festas supostamente católicas, mas preenchidas com os mesmos pecados e desvarios do pandemônio instituído pelo Diabo. Ainda mais: dentro da própria Igreja. O que há então, de se fazer?

Ousamos recomendar aos irmãos que se empenhem principalmente nestes três pontos:

Mortificar a língua, isto é, conversar moderadamente, em reparação pelos pecados cometidos através das músicas imodestas;
Jejuar. Evitar comer carne, frutas, doces e refrigerantes, em reparação pelos pecados de gula cometidos através das comidas e do excesso de álcool;
Orar e dedicar-se à Deus por pelo menos uma hora por dia, em reparação pelos pecados cometidos contra a castidade e a pureza.
Ainda que não consigam realizar com sucesso aos pontos anteriores ainda se pode:

Não ver a transmissão televisiva do carnaval, a fim de não estimular por este meio a realização desta festa;
Meditar a Via Sacra e a Paixão do Senhor, em memória de seu sacrifício salvífico;
Participar da Santa Missa quando possível (e sempre aos Domingos), oferecendo a Comunhão em reparação pelos pecados destes tempos e pela conversão dos pecadores;
Visitar o Santíssimo Sacramento e adorá-lo em reparação, quando possível;
Rezar o Santo Terço em batalha espiritual;
Confessar-se;
Não participar de eventos ditos católicos, realizados em nossas Igrejas, mas que em tudo se assemelham a esta festa mundana.
Sejamos agradáveis à Deus, para que em sua infinita misericórdia ouça as nossas preces e tenha piedade de nós.

“Quia guttur serpentis antique in istis margaritis materie Verbi Dei suffocatum est.”

Porque a antiga serpente foi sufocada por estas pérolas, feitas da Palavra de Deus.

Fonte: alexteles.com

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