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O pintor da Virgem do Perpétuo Socorro

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Conheça a história e o simbolismo do ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que remonta ao tempo dos primeiros cristãos.

O autor do ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, exposto à visitação dos fiéis na igreja de Santo Afonso de Ligório, em Roma, permanece desconhecido até nossos dias. Segundo a tradição da Igreja, no entanto, o artista que pintou a imagem da Virgem do Perpétuo Socorro inspirou-se em um ícone atribuído a São Lucas. Além de médico, homem culto e letrado, o Evangelista foi provavelmente um dos primeiros iconógrafos da história da Igreja. Segundo antiga tradição, São Lucas teria pintado ícones de Jesus Cristo, da Virgem Maria, de São Pedro e São Paulo. Há pinturas atribuídas a ele que existem até hoje, como é o caso dos ícones da "Theotokos de Vladimir" e de "Nossa Senhora de Czenstochowa".
A veneração dos ícones sagrados esteve presente na Igreja desde os primórdios do cristianismo. As imagens de Jesus Cristo, de Nossa Senhora, dos outros santos e dos anjos fazem parte da tradição bimilenar da Igreja Católica. No II Concílio de Niceia, em 787, o Magistério da Igreja "justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: dos de Cristo, e também dos da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova 'economia' das imagens" [1].
No início do século XVI, surgiram entre os protestantes "novos iconoclastas" e, a exemplo do que aconteceu no passado, em nome da fidelidade às Sagradas Escrituras, nossas imagens sagradas foram quebradas e nossas igrejas terminaram invadidas, depredadas e queimadas. Este fato fez com que o culto às imagens sagradas fosse perdendo a sua força em muitas comunidades, ao passo que, com a tradução da Bíblia do latim para as mais diversas línguas, o culto às Escrituras ganhou cada vez mais força. Essa tendência se tornou ainda mais forte quando, por conta de um falso ecumenismo, passou-se a suprimir as imagens das igrejas e das casas.
À primeira vista, essa mudança na espiritualidade pode até parecer uma evolução.
Dito fenômeno causou, entretanto, um grande problema. Como grande maioria das pessoas não conhecia a Revelação como um todo — Sagradas Escrituras e Tradição da Igreja —, nem a interpretação do Magistério da Igreja acerca do mistério de Deus revelado, isso fez com que crescessem equívocos e interpretações contraditórias. O resultado foi uma verdadeira perversão do sentido autêntico das Sagradas Escrituras, por parte de alguns, e a disseminação de heresias, por parte de outros.
Quanto aos ícones, até a Idade Média, os fiéis, que na sua maioria eram pouco letrados, aprendiam o significado profundo dos símbolos visuais. Dessa forma, pessoas rudes, sem instrução, podiam "ler" nas imagens sagradas o patrimônio de fé da Igreja Católica. No Renascimento — que na realidade foi um verdadeiro retorno ao paganismo —, o culto original aos ícones sagrados reduziu-se drasticamente, passando a fazer parte da espiritualidade de um número cada vez menor de pessoas.
No limiar do terceiro milênio, o Concílio Vaticano II tratou, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, sobre o espírito da pregação e do culto. Nesse documento, o mais importante do Concílio, somos orientados quanto ao culto à Virgem Maria e às sagradas imagens, confirmando o ensinamento que nos foi dado em Niceia:
"Muito de caso pensado ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao mesmo tempo recomenda a todos os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham em grande estima as práticas e exercícios de piedade para com Ela, aprovados no decorrer dos séculos pelo magistério, e que mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos santos" [2].
Na contramão desses fatos, o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro parece ser para nós como que um sinal dos céus para que voltemos às nossas origens.
No final do século XV, um negociante roubou a imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do altar onde estava, na ilha de Creta, onde era venerada pelo povo cristão. O mercador viajou com o ícone, de navio, para Roma e escapou milagrosamente de uma tormenta em alto-mar. Já na Cidade Eterna, ele adoeceu gravemente e, por isso, procurou a ajuda de um amigo. No seu leito de morte, o comerciante, arrependido, contou ao amigo que roubou o quadro e pediu a ele que o devolvesse a uma igreja. Este prometeu devolver a obra de arte sacra, mas depois mudou de ideia e morreu, sem ter cumprido a promessa feita ao amigo comerciante.
Para que se cumprissem os desígnios divinos, a Santíssima Virgem Maria apareceu a uma menina de seis anos, familiar de quem portava o ícone, e "mandou-lhe dizer à mãe e à avó que o quadro devia ser colocado na Igreja de São Mateus Apóstolo, situada entre as basílicas de Santa Maria Maior e São João Latrão, sob o título de Perpétuo Socorro" [3]. Em obediência, o ícone foi devolvido e exposto na igreja de São Mateus em 27 de março de 1499. A partir do século XVI, a devoção começou a se divulgar em toda Roma e, anos mais tarde, pelo mundo inteiro. Nessa igreja, a imagem foi venerada durante os 300 anos seguintes. Em 1798, a igreja de São Mateus foi destruída e a imagem foi retirada a tempo, mas ficou quase que esquecida. Até que, em 26 de abril de 1866, o ícone foi entronizado na Igreja de Santo Afonso, onde permanece até hoje.
Como dissemos, São Lucas pintou belos ícones de Nossa Senhora, como a Virgem do Perpétuo Socorro. No entanto, ele também "pintou" algumas das mais belas "imagens" da Santíssima Virgem nas páginas do santo Evangelho. Entre elas, destacam-se: a anunciação do arcanjo São Gabriel à Virgem de Nazaré (cf. Lc 1, 26-38), a visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel (cf. Lc 1, 39-56), o nascimento de Jesus Cristo em Belém (cf. Lc 2, 1-21) e a apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém (cf. Lc 2, 22-40).
No ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, temos alguns simbolismos que se fazem presentes no Evangelho segundo São Lucas.
Na imagem, vemos a mão direita de Maria apontando para seu Filho e no Evangelho temos várias passagens que apontam para Jesus como o Messias esperado pelo Povo de Israel: "O ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus" (Lc 1, 35b); "Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador" (Lc 1, 46b-47); "Eis aqui a serva do Senhor" (Lc 1, 38a); "E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho" (Lc 1, 76). Naquele tempo, raramente alguém tinha um livro das Sagradas Escrituras. Possuir uma passagem da Escritura era também muito raro. Por isso, como já dissemos, os primeiros discípulos de Cristo olhavam para os ícones, nas casas das poucas pessoas que os possuíam, e neles "liam" os textos sagrados.
Entre os simbolismos presentes na imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, talvez o teologicamente mais rico e espiritualmente mais significativo seja o retrato do Calvário. Ao contemplar a Virgem do Perpétuo Socorro, vemos à sua esquerda o arcanjo São Miguel, que apresenta a lança, a vara com a esponja e o cálice das amarguras que o Cristo sorveu até o fim. À direita, está o arcanjo São Gabriel, com a cruz e os cravos, que foram os instrumentos da paixão e morte de Jesus. O Menino Jesus, o Perpétuo Socorro em pessoa, assustado ao olhar para os instrumentos de Sua paixão, com as duas mãos, segura firmemente a mão direita de sua Mãe, como que nos ensinando a confiar-nos inteiramente a ela, especialmente nos momentos de medo, dor e sofrimento.
Para completar a nossa "leitura" do ícone, na perspectiva do mistério pascal de Cristo, podemos olhar para Maria como a Virgem das Dores. A sua mão esquerda, que sustenta o Filho, simboliza a sua presença aos pés da cruz (cf. Jo 19, 25). O seu olhar materno, ao mesmo tempo que demonstra o acolhimento e o cuidado para com cada um de nós, que fomos entregues a ela como filhos, é um convite para que a levemos para o que é nosso, ou seja, para a nossa vida interior, como fez o discípulo amado (cf. Jo 19, 27).
Um detalhe do ícone, que pode passar despercebido, é a sandália desamarrada, que pode simbolizar um pecador, preso a Jesus apenas por um fio, fio este que é a devoção a Santíssima Virgem. Este "fio" tão frágil pode ser uma lembrança, ou uma devoção sem muita piedade, que num momento de desespero, de sofrimento, pode nos manter unidos ao Senhor. Vemos uma imagem disto naquela que é provavelmente a mais conhecida e bela parábola de Jesus, presente somente no Evangelho escrito por Lucas: a parábola do filho pródigo. Depois de deixar a casa do pai e de gastar toda a sua fortuna numa vida desenfreada, o filho esbanjador estava na situação humilhante de cuidar de porcos. Para os judeus que ouviram de Jesus esta parábola, cuidar de porcos era ainda mais humilhante, porque eles os consideravam animais impuros. Para completar a humilhação, o rapaz, faminto, queria comer a comida dos porcos, mas nem isso lhe era dado para comer (cf. Lc 15, 11-16). Foi então que ele entrou em si, refletiu, recordou-se que na casa de seu pai até mesmo os empregados tinham pão em abundância e tomou a decisão de voltar (cf. Lc 15, 17-18). Da mesma forma, um pecador pode voltar para Jesus e se salvar pela simples devoção que tem à Virgem Maria, ou até mesmo por uma vaga lembrança do amor que nutre por ela.
Nas passagens do Evangelho que falam dos dois ladrões, crucificados à direita e à esquerda de Jesus, há aparentemente uma contradição, que pode nos ajudar a aprofundar nossa reflexão. Em Mateus e Marcos, ambos escarneciam de Jesus: "E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam" (Mt 27, 44; cf. Mc 15, 32). Mas, em Lucas, apenas um dos malfeitores blasfemava (cf. Lc 23, 39). O outro, que segundo a tradição se chamava Dimas, não somente repreendeu o outro ladrão, mas também reconheceu que para eles aquela condenação era justa, mas não para Jesus, pois não tinha feito mal algum (cf. 23, 40-41). A razão desta aparente contradição é que, segundo uma visão da mística Beata Anna Catharina Emmerich, a princípio, ambos escarneciam do Cristo, até que algo inesperado aconteceu:
"Dimas, o bom ladrão, obteve pela oração de Jesus uma iluminação interior, no momento em que a Santíssima Virgem se aproximou. Reconheceu em Jesus e em Maria as pessoas que o tinham curado [da lepra] quando era criança e exclamou em voz forte e distinta: 'O quê? É possível que insulteis Àquele que reza por vós? Ele se cala, sofre com paciência, reza por vós e vós o cobris de escárnio? Ele é um profeta, é nosso rei, é o Filho de Deus'" [4].
Naquele momento derradeiro de sua vida terrena, São Dimas recebeu a graça de recordar de Jesus e de sua Mãe. A partir dessa lembrança de sua infância, começou o extraordinário processo de conversão do bom ladrão, que culminou no seu ousado pedido: "Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!" (Lc 23, 42). A salvação de São Dimas estava por um "fio", que era a vaga recordação de uma cura, operada pelas mãos do Menino Jesus e de Maria. Dessa forma, quase no último momento de sua vida, o bom ladrão "roubou" o Céu, a salvação eterna.
São Lucas escreveu o Evangelho de Jesus Cristo não somente com palavras, mas também com imagens, que nos ajudam a encontrar na devoção a Virgem Maria um caminho seguro para chegar a Ele. Que neste dia, no qual celebramos Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, façamos o salutar propósito de "ler", na sua imagem, as Sagradas Escrituras, e nelas encontrar o próprio Cristo, a Palavra de Deus que se fez carne.
Ainda que nossa situação seja semelhante à do filho pródigo, ou como a do bom ladrão, e nossa vida esteja unida a Cristo apenas por um "fio", entreguemo-nos com confiança à Virgem das Dores, que nos foi dada, pelo próprio Filho, por Mãe (cf. Jo 19, 27). Assim, da mesma forma que a Mãe de Deus contribuiu para a cura e a salvação de São Dimas, ela nos alcançará os bens necessários para a nossa vida terrena e principalmente para chegarmos à glória celeste.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere - Site Pe. Paulo Ricardo

Referências
Catecismo da Igreja Católica, 2131.
Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, 67.
A12, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Flor do Carmelo, Meditação - Quinto Mistério Doloroso - Jesus Morre na Cruz. Texto extraído do livro: Vida, Paixão e Glorificação do Cordeiro de Deus, da Beata Anna Catharina Emmerich. Como toda revelação particular, não somos obrigados a crer com fé católica nesse escrito, mas podemos aceitá-lo para melhor compreensão das Escrituras e para edificação de nossa fé.

O que dizem os santos sobre o carnaval e a necessária reparação

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Carnaval é tempo dos espetáculos profanos, dos bailes de mascarados, das danças e orgias que se multiplicam nas vésperas da Quaresma, mormente nos três dias antes da Quarta-feira de Cinzas. Perder tempo, exagerar as despesas, fazer da barriga seu deus, fingir que está alegre, encher a alma com imagens e pensamentos indecentes, avivar o fogo das paixões, atirar-se de caso pensado aos maiores perigos… não será isto diretamente oposto ao Cristianismo que prescreve o bom uso do tempo, prudente economia, a temperança, a vigilância nos sentidos, a mortificação das paixões e a fuga dos perigos? Deixam após si, estes dias de pecados: tantas vítimas de impureza, de embriaguez e milhares de famílias na vergonha e na miséria.

Mas afinal, o que dizem os Santos, bastiões da virtude, sobre esta festa?

Santa Faustina Kowalska diz:

Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista.

(Diário, 926)

Santa Margarida Maria Alacoque escreve:

Numa outra vez, no tempo de carnaval, apresentou-me, após a santa comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo, agora?

(Escritos Espirituais)

São Francisco de Sales dizia:

O carnaval: tempo de minhas dores e aflições.

São Francisco de Sales, enquanto durava o carnaval, fazia o retiro espiritual para reparar as graves desordens e o procedimento licencioso de tantos cristãos.

São Vicente Ferrer falava:

O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição.

O Servo de Deus, João de Foligno, dava ao carnaval o nome de:

“Colheita do diabo”

Santa Catarina de Sena, referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços:

Oh! Que tempo diabólico!

Santo Afonso Maria de Ligório escreve:

Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação, Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto, os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer e por um divertimento momentâneo. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm vergonha de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o Santo Nome de Deus. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus. Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes […]

Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender que é Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.

É por isso que os santos, a fim de desagravarem o Senhor de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo do carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e realizar exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente.

Numa palavra, todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na presença de Jesus Sacramentado ou bem recolhido em tua casa, aos pés de Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas.

O meio para adquirires um tesouro imenso de méritos e obteres do céu as graças mais assinaladas, é seres fiel a Jesus Cristo em sua pobreza e fazer-lhe companhia neste tempo em que é mais abandonado pelo mundo. Como Jesus agradece e retribui as orações e os obséquios que nestes dias de carnaval lhe são oferecidos pelas suas almas prediletas!

(Meditações)

Santa Teresa dos Andes diz:

Nestes três dias de carnaval tivemos o Santíssimo exposto desde a uma, mais ou menos, até pouco antes das 6 h. São dias de festa e ao mesmo tempo de tristeza. Podemos fazer tão pouco para reparar tanto pecado…

(Carta 162)

Da mesma forma, conta-se na hagiografia de São Pedro Claver:

Um oficial espanhol viu um dia São Pedro Claver com um grande saco às costas.
— Padre, aonde vai com esse saco?
— Vou fazer carnaval; pois não é tempo de folgança?
O oficial quer ver o que acontece: acompanha-o.
O Santo entra num hospital. Os doentes alvoroçam-se e fazem-lhe festa; muitos o rodeiam, porque o Santo, passando com eles uma hora alegre, lhes reparte presentes e regalos até esvaziar completamente o saco.
— E agora? – pergunta o oficial.
— Agora venha comigo; vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de carnaval.

Resta-nos questionar então, enquanto fiéis católicos, o que há de se fazer nestes tempos nefastos para que a influência de Satanás seja ao menos um pouco repreendida pelos nossos atos de amor à Jesus Cristo Deus, cujo Preciosíssimo Sangue derramado em expiação de nossos pecados é pisado e escarnecido não só pelos pagãos e pelos cristãos que tomam parte nesta podridão mas também por aqueles que se dizendo de Deus escondem suas paixões em festas supostamente católicas, mas preenchidas com os mesmos pecados e desvarios do pandemônio instituído pelo Diabo. Ainda mais: dentro da própria Igreja. O que há então, de se fazer?

Ousamos recomendar aos irmãos que se empenhem principalmente nestes três pontos:

Mortificar a língua, isto é, conversar moderadamente, em reparação pelos pecados cometidos através das músicas imodestas;
Jejuar. Evitar comer carne, frutas, doces e refrigerantes, em reparação pelos pecados de gula cometidos através das comidas e do excesso de álcool;
Orar e dedicar-se à Deus por pelo menos uma hora por dia, em reparação pelos pecados cometidos contra a castidade e a pureza.
Ainda que não consigam realizar com sucesso aos pontos anteriores ainda se pode:

Não ver a transmissão televisiva do carnaval, a fim de não estimular por este meio a realização desta festa;
Meditar a Via Sacra e a Paixão do Senhor, em memória de seu sacrifício salvífico;
Participar da Santa Missa quando possível (e sempre aos Domingos), oferecendo a Comunhão em reparação pelos pecados destes tempos e pela conversão dos pecadores;
Visitar o Santíssimo Sacramento e adorá-lo em reparação, quando possível;
Rezar o Santo Terço em batalha espiritual;
Confessar-se;
Não participar de eventos ditos católicos, realizados em nossas Igrejas, mas que em tudo se assemelham a esta festa mundana.
Sejamos agradáveis à Deus, para que em sua infinita misericórdia ouça as nossas preces e tenha piedade de nós.

“Quia guttur serpentis antique in istis margaritis materie Verbi Dei suffocatum est.”

Porque a antiga serpente foi sufocada por estas pérolas, feitas da Palavra de Deus.

Fonte: alexteles.com

O poder da ave-maria

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Uma ave-maria bem recitada nos dá mais graças que mil rezadas sem reflexão

Milhões dos católicos rezam frequentemente a ave-maria. Às vezes depressa, sem sequer pensarem nas palavras que estão dizendo. Este texto poderá ajudar-nos a rezar a ave-maria com mais fervor e mais consciência da sua profundidade.

Uma ave-maria bem rezada enche o coração de Nossa Senhora de alegria e nos concede grandes graças. Uma ave-maria bem recitada nos dá mais graças que mil rezadas sem reflexão.
A ave-maria é uma mina de ouro da qual podemos sempre extrair e nunca se esgota. É difícil rezar a ave-maria? Tudo o que temos de fazer é saber o seu valor e compreender o seu significado.
São Jerônimo nos diz que “as verdades contidas na ave-maria são tão sublimes, tão maravilhosas, que nenhum homem ou anjo poderiam compreendê-las inteiramente”.
Santo Tomás de Aquino, príncipe dos teólogos, “o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios”, como o chamou Leão XIII, pregou sobre a ave-maria durante 40 dias em Roma, enchendo os corações de êxtase.
O erudito jesuíta pe. Suárez declarou que, ao morrer, trocaria de bom grado todos os livros que tinha escrito, todas as obras que tinha realizado, pelo mérito de uma única ave-maria rezada devotamente.
Santa Matilde, que amava muito Nossa Senhora, esforçava-se certo dia para compor uma bela oração em sua honra. Nossa Senhora lhe apareceu com estas letras douradas em seu peito: “Ave, Maria, cheia de graça”. E lhe disse: “Minha filha, nenhuma oração que você talvez pudesse compor me daria a alegria da ave-maria”.
Certa vez, Nosso Senhor pediu a São Francisco que lhe desse algo. O santo respondeu: “Senhor, não posso te dar nada que eu já não tenha dado: todo o meu amor”. Jesus sorriu e disse: “Francisco, dá-me tudo de novo, e de novo, e me darás a mesma alegria”. Da mesma forma, nossa querida Mãe recebe cada ave-maria que lhe ofertamos com a mesma alegria com que ouviu aquela saudação da boca do Arcanjo Gabriel no dia da Anunciação, quando ela se tornou a Mãe do Filho de Deus.
São Bernardo e muitos outros santos enfatizaram que Maria jamais se recusou a ouvir as orações dos seus filhos na terra. Por que, às vezes, não abraçamos estas verdades consoladoras? Por que recusamos o amor e a consolação que a doce Mãe de Deus nos oferece?
Hugh Lammer foi um dedicado protestante que pregava com força contra a Igreja católica. Um dia, ele encontrou uma explicação da ave-maria e ficou tão encantado que começou a rezá-la diariamente. Toda a sua animosidade anticatólica foi a partir de então desaparecendo. Ele não apenas se converteu: tornou-se padre e professor de Teologia em Breslau.
Contam-se vários e vários relatos semelhantes a este: um sacerdote está ao lado de cama de um homem que morre em desespero por causa de seus pecados e sua falta de fé. O homem se recusa a confessar-se. Como último recurso, o sacerdote o ajuda a rezar pelo menos a ave-maria. Pouco depois, o pobre homem faz uma confissão sincera e morre na graça de Deus.
Santa Gertrudes nos diz em seu livro “Revelações” que, quando agradecemos a Deus pelas graças que Ele deu a qualquer santo, nos tornamos participantes daquelas mesmas graças. Ora, que graças então não recebemos quando rezamos a ave-maria agradecendo a Deus por todas as graças extraordinárias que Ele concedeu à Sua Mãe Bendita?
“Uma ave-maria dita sem fervor sensível, mas com desejo puro em tempo de aridez, tem muito mais valor à minha vista que um rosário inteiro no meio das consolações”, disse Nossa Senhora à Irmã Benigna Consolata Ferrero.
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A partir do blog O Segredo do Rosário

Site Aleteia

Trezena de Santo Antônio completa

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Santo Antônio de Pádua – Padroeiro de nossas missões

Santo Antônio foi um pregador incansável, que anunciou a Palavra de Deus com coragem e determinação e que converteu muitos corações endurecidos através do seu testemunho de amor a Jesus Cristo. Somos impulsionados a apresentar ao outro a Luz da Vida que brilha em nós, testemunhando, àqueles que estão nas trevas, que a verdadeira Luz nasce do coração dos que realmente experimentam a Deus.
“Fala em várias línguas quem está repleto do Espírito Santo. As diversas línguas são o testemunho que devemos dar a favor de Cristo, a saber, humildade, pobreza, paciência e obediência.”

1º Dia
“Meus pensamentos não são os vossos, e o vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor” (Is 55, 8).
Santo Antônio pertencia a uma rica família, mas preferiu renunciar aos prazeres do mundo para abraçar a Deus e o Seu serviço. Desde criança tinha um grande amor pelos pobres, pequenos e fracos. Já era um padre agostiniano quando sentiu o chamado para Ordem Franciscana. Encantou-se com aquela vida de hábitos singelos, pobreza, oração e alegria diferente. Seu desejo era ser missionário entre os infiéis e derramar seu sangue por amor a Cristo. Porém, todos os seus planos foram destruídos. Depois de longa reflexão, aceitou, humildemente, a vontade de Deus. Renunciou a qualquer projeto, por mais importante que fosse por causa de um único ideal: o abandono nas mãos de Deus.
Não foi um mártir de forma física, mas de espírito. Mártir pelo desejo, mártir de coração. Sua vida esteve disposta na vontade de Deus.

Reflexão
1. Santo Antônio buscou viver a vontade de Deus incondicionalmente, passando pela dor da renúncia e da mortificação. Tenho vivido o abandono e o acolhimento para cumprir a vontade de Deus na minha vida missionária?
2. Imolou seu desejo, sua vontade, seus planos para viver essa identificação com Cristo, que se humilhou assumindo a Sua condição de homem, para que o plano de salvação de Deus fosse cumprido. O que precisa ser imolado em mim para que eu viva esta identificação com Cristo?

Oração
Glorioso Santo Antônio, vós que fostes obediente à voz de Deus, fazei com que o meu coração se abra para esta verdade permitindo, assim, que eu me identifique com Cristo em humildade e obediência. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

2º Dia
“Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40).
Santo Antônio tinha grande amor pelos pobres, fracos e pequenos e toda sua vida foi uma dedicação ao próximo. Para ele não havia cansaço, doença ou fadiga que o impedissem de ir ao encontro dos mais carentes.
Desde o tempo do mosteiro agostiniano, onde tinha uma vida oculta, procurava serviços que fossem úteis à Comunidade, tais como: lavar utensílios da cozinha, manter o chão limpo. Fazia tudo com amor e simplicidade, buscando somente a glória de Deus e o bem das almas. Para ele não existia o outro, mas o irmão. Dizia: “o bem está em todos, basta saber evocá-lo e cultivá-lo com inteligência e paciência”.
Os pobres sentiam-se consolados por ele, pois sendo rico, cheio de sabedoria humana e divina, fez-se um deles. Ele sempre elogiava a pobreza honesta e paciente. Estendia sempre as suas mãos em favor dos necessitados.

Reflexão
1. Santo Antônio não se preocupava consigo, tinha o seu olhar sempre voltado para o irmão, pois sua atitude tinha que ser semelhante a de Jesus. Diante disso, como avalio a minha condição de servo de Cristo?
2. O seu servir se estendia a todo povo de Deus, inclusive aos seus irmãos de Comunidade, pois eles eram a extensão do corpo de Cristo. Tenho buscado o servir como caminho de crescimento para a minha identificação com Cristo, que veio para servir e não para ser servido, principalmente, dentro da vida comunitária?

Oração
Glorioso Santo Antônio, vossa maior alegria estava em ser servo. Fazei com que eu viva em plenitude esta virtude com o mesmo amor que a praticastes, para que desta forma eu encontre Cristo na pessoa do meu irmão. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

3º Dia
“Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3).
Santo Antônio admirava muito São Francisco e sempre procurava imitá-lo em tudo, por isso, era fiel ao lema franciscano: anunciar a paz e o bem.
Percorria os lugares onde era grande o número de hereges e que pudesse dedicar-se totalmente aos pobres. Sentia e sofria com a miséria, que era fruto da exploração humana, colocando-se na mesma situação daqueles pobres, não por sentimentalismo ou interesse, mas por vocação. Dizia que os frades menores, “uma vez descarregado do peso do mundo, ligeiro voam, por meio do amor, ao encontro de Cristo”. Ainda, segundo o santo, os frades menores deviam ser como pássaros que não semeiam, nem ceifam e nem recolhem, mas esperam em Deus.
Desprendido dos prazeres do mundo, fazia-se livre para iluminar aqueles que padeciam nas trevas. Por não procurar para si honra e glória, tinha a liberdade de anunciar a Palavra de Deus, sem fazer distinção entre as pessoas, censurando sem medo os pecados de todos.

Reflexão
1. Trazia dentro de si o desprendimento dos valores terrenos, tornando-se livre para anunciar a Boa Nova a todos, sem distinção de pessoas. Os valores terrenos têm me escravizado, impedindo assim que eu me lance livremente na minha vocação?
2. Santo Antônio assumiu o seu chamado sem medo do que poderia acontecer com sua vida, mas trazia dentro de si a confiança de que o Senhor o socorreria em todas as suas necessidades. Assumo, com confiança, todos os dias, a minha eleição, não pensando mais em voltar atrás quando a dor da renúncia ou da perda gritam dentro de mim?

Oração
Bem-aventurado Santo Antônio, vós que buscastes dentro de vós o desprendimento dos valores terrenos para poder, com liberdade, assumir a missão, fazei com que eu viva toda esta pobreza evangélica, para me encontrar com Cristo na Sua glória. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

4º Dia
“Antes do teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações” (Jr 1,5).
Santo Antônio foi criado dentro de uma família católica, cujo amor aos pobres e a pureza do corpo e da alma foram implantados em seu coração. Com cinco anos fez o voto de castidade e aos 15 anos decidiu ser padre. Assumir essa vocação bem cedo, trouxe ao nosso santo muitos sofrimentos, pois teve que passar por grandes provações e tentações.
Sua educação foi totalmente cristã e coroada pela virtude da caridade e ardente amor a Jesus no Santíssimo Sacramento da Eucaristia.
Os projetos dos pais, os sonhos juvenis tornavam o mundo atraente, mas superou a fragilidade humana, combatendo a concupiscência da carne. Não poderia permanecer assim. A voz divina ecoava no mais profundo do seu espírito. Desde pequeno aprendera a reconhecer aquela voz irresistível. Devia decidir: ou assumir ou abandonar.
Deus o havia chamado e àquele convite se entregara totalmente a si mesmo. Esta era a verdadeira felicidade para Santo Antônio: entregar-se sem reserva a Deus e a conseqüente paz na alma. Quando conheceu a Ordem franciscana, passava por um período de descontentamento vocacional, pois as constantes visitas de parentes e amigos o impediam de ter uma vida de profunda oração e de contemplação. O carisma franciscano o fez refletir, levando a descobrir que sua vocação era ser missionário, pregador do evangelho aos pagãos. Já não era mais padre Fernando, mas frei Antônio, com coragem e determinação assumiu a vocação por Deus escolhida.

Reflexão
1. Santo Antônio sofreu tentações, lutou contra a concupiscência da carne para não desagradar a Deus e assumir a voz divina que ecoava em seu coração. Tenho lutado contra o desejo da carne para assumir a minha consagração e não mais desagradar a Deus?
2. A verdadeira felicidade para Santo Antônio era a entrega sem reserva a Deus. Esta entrega sem reservas o fez obedecer corajosamente a um chamado que mudaria sua vida. O que me falta para que eu me entregue a Deus sem reservas e me lance para a missão que o Senhor tem para mim?

Oração
Glorioso Santo Antônio, vós que assumistes sem reservas o chamado do Senhor, fazei com que eu lute contra toda a minha fragilidade humana e assuma com alegria a minha consagração, pois quero ser luz numa sociedade que vive nas trevas. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

5º dia
“Como os raios se desprendem das nuvens, assim também dos santos pregadores emanam obras maravilhosas. Disparam os raios, enquanto cintilam os milagres dos pregadores; retornam os raios, quando os pregadores não atribuem a si mesmos as grandes obras que fazem, mas à graça de Deus" (Santo Antônio).
Era um pregador que colhia seus frutos no sacramento da Confissão. Sentia tão feliz em levar os pecadores a renascer à luz divina que isso o fazia esquecer o cansaço, o frio, o calor, a restauração das forças.
Durante toda sua trajetória de pregador, não se calou diante do pecado e do vício. Sua missão era de iluminar com a luz de Deus os passos do Seu povo. A luz devia brilhar para que o povo visse as coisas boas. Mesmo sendo luzeiro, achava-se indigno de receber qualquer honra, pois tudo que fazia ele atribuía a Deus, sentia-se um nada diante do poder de Deus.
Julgava-se tão miserável e pecador que acreditava que o Senhor não o considerava digno de ter sido mártir em Marrocos. No Convento de Santa Maria de Arcello, momentos antes de sua morte, pede para se confessar. Disse ele: “O homem justo está convencido de ser sempre um principiante”.
Para ele o verdadeiro penitente deve manter sempre fixo na alma o propósito de não recair na culpa, pois é aí que muitos confessam seus pecados, mas jamais se emendam.

Reflexão
1. Sua missão era pescar almas, muitas almas para Deus, e como um bom Pastor, ia além de suas forças humanas para realizar a vontade do Senhor. Tenho dado o máximo de mim para realizar o que Deus, um dia, a mim confiou?
2. Era chamado de pescador de almas, porque por meio de suas pregações o povo percebia que era necessário buscar, rapidamente, uma reconciliação com Deus e a partir daí ser uma nova criatura. O meu conhecimento da Palavra de Deus e o meu testemunho têm ajudado as pessoas a sair da lama dos vícios e dos pecados para elevá-los a uma conduta digna de filhos de Deus?

Oração
Amabilíssimo Santo Antônio, vós que lutastes, incessantemente, para resgatar almas para Deus por meio das vossas pregações e de vosso testemunho de vida, fazei com que eu lute até o sangue para combater o pecado existente em mim e na humanidade. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

6º Dia
“Ó meu Senhor Jesus, eu estou pronto a seguir-Te mesmo no cárcere, mesmo até à morte, a imolar a minha vida por Teu amor, porque sacrificaste a Tua vida por nós” (Santo Antônio).
Um discurso improvisado abriu para Santo Antônio os caminhos da ação apostólica. Ele passou por um mundo totalmente conturbado em todos os sentidos: político, religioso, econômico, cultural e social. Surgiu, a partir daí, na vida da Igreja, movimentos religiosos que voltaram a viver segundo o Evangelho. Muita gente queria viver como os apóstolos na forma da Igreja primitiva. Foi nesse mundo que ele pensou e agiu, rezou e sofreu, ensinou e lutou.
“Tromba de guerra é a pregação”, e é sinal de grande dureza de coração quando o povo ouve a tromba da pregação anunciando a morte eterna e não experimenta nenhum temor. Ele permaneceria feliz no esquecimento contemplativo de Montepaolo, longe deste mundo conturbado, mas lhe foi imposto as fadigas da pregação ao povo cercado de hereges, degradado pela ignorância, esmagado pelos opressores.
Para este combate entre o bem e o mal ele tinha suas próprias armas: santidade e bom exemplo, preparação doutrinal adequada, excelente dotes expositivos. Era um anticonformista, isto é, não se acomodava sem luta na aceitação da realidade assim como ela se apresenta. Estava sempre insatisfeito com a mediocridade, denunciando os males de seu tempo sem medo. A sua pobreza era absoluta, fugia quase sempre dos prazeres que vinham da popularidade, era desinteressado e pronto para qualquer renúncia, capaz de doar-se sem medida.
Santo Antônio tinha o objetivo de imitar a Cristo em tudo, por isso lutou para não deixar que a soberba entrasse no seu coração. Deu sua vida pelos seus, porque havia entendido a sublime caridade do Evangelho.

Reflexão
1. Santo Antônio foi um anticonformista diante de um mundo conturbado. Lutou com a vida para a instauração do Reino de Deus. O seu único interesse era unir os homens ao seu Criador. Tenho mortificado verdadeiramente a minha carne para que o Reino de Deus aconteça em mim e no meu próximo, por meio da minha pessoa?
2. Ele travou uma grande batalha contra o mal e para combatê-lo usava armas próprias, mas estas de nada valeriam se ele não buscasse imitar a Cristo. Imitar a Cristo significa levar a salvação até aqueles que estão morrendo por causa do pecado. Qual a minha resposta diante desse apelo de Cristo para que eu encarne a verdade do Evangelho?

Oração
Glorioso Santo Antônio, vós que mortificastes a carne para ser merecedor do Reino de Deus, fazei que eu não me acomode com a injustiça e nem me desvie da prática da caridade de Cristo. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

7º Dia
“Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16, 24).
Santo Antônio não passou por esta vida conhecendo somente o sucesso, mas conheceu a amargura da repulsa e da derrota. Viveu como todo arauto de Cristo, revezando sucessos e insucessos, fazendo, ora colheitas abundantes, ora mirradas.
Quando teve sucesso, obteve também o seu preço, pois não se faz o bem impunemente, nem se lança o desafio ao pecado e aos pecadores sem sofrer represálias. Existe a Paixão de Cristo, existem as paixões dos mártires.
Deve-se anunciar Cristo, que é a Verdade, sem nada atenuar ou calar, mesmo se alguém se sinta magoado. A Verdade provoca ódio. Se em torno ao pregador se encontra apenas admiração e amor, isto significa que não anunciou a verdade sincera e total. Assim era a vida do nosso santo.
Ele não se limitava somente às palavras. Empenhava-se, concretamente, em favor dos pobres, lutando contras as leis dos poderosos de Pádua, opondo-se aos tiranos da Itália. Mesmo com a saúde debilitada por causa de uma doença que o dificultava a ficar em pé, não recusava a nenhum pedido de ajuda, mesmo que isso lhe custasse a vida.

Reflexão
1. Santo Antônio não se calou frente às perseguições, às calúnias, às injúrias e ao ódio. Denunciou a Verdade em todos os lugares que passou. Carrego a minha cruz com amor quando sou perseguido, ou passo por fortes provações tendo-a apenas como peso?
2. Ele não se limitava somente em pregar a Palavra de Deus, Aquela que liberta e salva, mas tinha atitudes concretas para libertar os pobres e oprimidos dos seus opressores. Hoje, eu apenas prego a Palavra ou me comprometo para que Ela ganhe vida com minhas atitudes de amor para com o próximo?

Oração
Glorioso Santo Antônio, vós que abraçastes a cruz de Cristo com amor e experimentastes a paixão do mártir, fazei com que eu encontre na minha cruz toda sabedoria, fortaleza e coragem para ser participante da Paixão de Cristo e anunciador da Verdade. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

8º Dia
“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (Tes 4, 3 a).
Quando foi para o Seminário dos Cônegos Regulares Santo Agostinho, passou por momentos difíceis. Pais e amigos faziam forças para que deixasse o seminário. Por ser um jovem bonito e bem educado, era muito assediado pelas jovens. Todas essas tribulações e tentações foram essenciais para fecundar a sua vocação. Foram anos que acabaram por iluminar e fortalecer o seu querer e a vontade de Deus.
Para Santo Antônio, ser santo é um dom de Deus e todo que nasce de Deus, através da água e do Espírito, é chamado à santidade. Ela consiste em viver unido ao Pai e em cumprir, fielmente, os próprios deveres.
Sua santidade se firmava nessa entrega total à vontade de Deus. Denunciava os vícios e o pecado com uma fala franca e enérgica. Além dessa virtude, cabia-lhe a graça da humildade, herdada do Pai Francisco. Estava convencido de que quanto mais a pessoa se humilha em tudo, mais dons da graça acumula diante do Altíssimo. Viveu profundamente o servir de Cristo, que se colocou em último lugar, pois o primeiro pertence ao orgulho. Dizia ele a frei Lucas: “contemple e saúde o céu de longe e confesse-se peregrino e hóspede na terra. Não se ponha à frente de ninguém, considere-se o mais indigno de todos”.

Reflexão

1. Santo Antônio entendeu que para ser santo precisava estar unido a Deus e cumprir a Sua vontade fielmente. Qual a minha maior dificuldade para viver a missão de ser santo?
2. Para ser santo teve que crucificar com Cristo tudo que trazia dentro de si que caracterizasse o homem velho e fazer renascer, da água e do Espírito, o novo homem. Ser servo de Cristo e imitá-Lo em humildade são virtudes que me levam a um crescimento na graça de Deus. Como tenho exercitado estas virtudes no meu dia-a-dia?

Oração
Glorioso Santo Antônio, que desde criança buscastes ser santo, obedecendo a Deus em tudo, fazei com que eu participe da santidade de Deus e que eu possa refleti-la por meio das minhas atitudes para com o próximo. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

9º Dia
“Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 20).
Estava longe de ambicionar fama diante dos homens. Antes de ser revelado como pregador, vivia uma vida de oração e penitência. Era um teólogo, por isso, os frades pediram a São Francisco que ele fosse professor de teologia; ele consentiu, mas com uma ressalva: que os frades estudassem as Sagradas Escrituras, mas de que forma alguma se extinguisse o espírito de oração neles.
Passava longas horas em oração e contemplação. Rezava por muito tempo ajoelhado sobre o pavimento de pedra, com os braços em cruz e a cabeça apoiada numa pedra. Para ele a oração não só restaura o espírito, como o corpo. Quando a alma se encontra iluminada pela luz de Deus, o corpo nem percebe o cansaço e o homem não se preocupa com mais nada. Quando se reza, nem a pedra mais dura e mais aguda consegue perturbar o corpo, porque a alma se encontra numa alegria profundíssima.
A oração foi também uma das armas que ele usou para combater Satanás, além da cruz que sempre trazia consigo. Tinha a plena convicção que Cristo estava nele.

Reflexão
1. Santo Antônio buscava na oração as forças físicas e espirituais necessárias para cumprir sua missão com alegria. A minha vida de oração é sustentáculo da minha caminhada como missionário, perante o cansaço físico e espiritual?
2. Em primeiro lugar devia vir a oração, depois o estudo bíblico, até mesmo S. Francisco via que era necessário o conhecimento da Palavra de Deus na pregação. A minha Lectio Divina e o meu momento de oração pessoal têm me aproximado de Cristo e se tornado essenciais no combate a Satanás?

Oração
Amado Santo Antônio, vós que fizestes da oração um caminho para a identificação com Cristo, fazei que eu me retire para dentro de mim e avance nos mistérios do Pai. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

10º Dia
“Ó Senhor, dá-me viver e morrer no pequeno ninho da pobreza e na fé dos teus Apóstolos e da tua Santa Igreja Católica” (Santo Antônio).
Doente há anos, estava chegando a hora de se despedir desse mundo. Seus membros estavam deformados e andava com dificuldades, mas não deixava de atender todos aqueles que até ele chegavam para pedir-lhe algo ou fazer uma confissão.
Em Camposampiero, teve sua cela plena de silêncio e de oração, lugar onde lia a Palavra de Deus e retocava os seus sermões. Sofreu muito por causa da enfermidade, da solidão e da insônia. Não tinha mais forças físicas, por isso, buscava a paz abandonando-se em Deus e se oferecendo pela salvação das almas. Foram dias de recolhimento em que pôde experimentar todo amor de Deus para com seu servo.
O pensamento da morte sempre o havia acompanhado, entretanto, não a tinha como algo ruim, uma sombra funesta e implacável, mas a hora suprema de prestação de contas com Deus.
Deixara de bater o coração que não amava outra coisa senão o Seu Criador, e por Seu amor as almas.

Reflexão
1. Santo Antônio esperava a morte porque sabia que estaria frente a frente com Deus prestando conta de toda a sua vida. Apesar de toda dor física, se alegrava com a chegada desse momento. Como encaro a morte hoje, sendo eu um ministro da Palavra de Deus?
2. Mesmo sabendo que chegara a sua hora, buscou cultivar uma aproximação ainda maior com Deus, por meio da oração e da Sagrada Escritura. Preparo a minha alma para este encontro glorioso com Deus, deixando para trás todos os valores do mundo e cultivando somente os valores eternos?

Oração
Glorioso Santo Antônio, vós que sempre te preparastes para a morte, fazei com que eu viva este prenúncio da vida eterna, buscando renovar dentro de mim os valores de Deus. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

11º Dia
“O Evangelho poderia perder-se todo, e o reconstruiria letra por letra” (Santo Antônio).
É chamado de Doutor Evangélico por ter usado com muita freqüência testemunhos e sentença do Evangelho em suas pregações. Harmonizava em si santidade sincera e ciência notável.
O método didático que usava era muito comum em sua época: leitura da Bíblia comentada com auxílio das grandes obras dos Santos Padres, principalmente, Santo Agostinho.
Com a existência das novas Ordens a Igreja se dividiu entre o novo e o antigo. Ciente desta divisão tentou promover a aproximação das novas e antigas Ordens, porque seria proveitoso para ambas as partes. Além de que, a Igreja precisava de evangelizadores bem preparados para combater a heresia que estava em evidência por toda a parte, principalmente, na França e Itália.
Era um homem de saber extraordinário e procurava assimilar a Palavra de Deus, unindo humildade e sabedoria. Estabelecia uma ligação, durante a reflexão, entre a alma humana e a Palavra de Deus.
Para muitos era “uma lâmpada de luz e ardor porque exaltava e revelava Deus”. Queria que as pessoas descobrissem o Amado e se apaixonassem por Ele, e por esse amor se entregassem sem medida. Falava do Deus que experimentava na leitura e no irmão.
O desejo dele era salvar vidas, fazendo-as conhecedoras da Verdade que é Cristo, por meio do testemunho de suas experiências e da Palavra de Deus.

Reflexão
1. Santo Antônio era um apaixonado por Deus e por Sua Palavra, pois ela era o caminho que ele tinha que percorrer para chegar até o Pai. O seu desejo era que as pessoas também se apaixonassem por seu Amado. Esse se apaixonar por Deus tem começado em mim, para que depois eu o apresente às pessoas?
2. Lia a Palavra, não de forma teórica, mas assimilando o seu conteúdo, com uma visão espiritual, e o trazia para a realidade que estava vivendo. A leitura bíblica que faço tem me dado uma visão espiritual daquilo que é a vontade de Deus para minha vida fraterna e minha vida de missionário?

Oração
Amabilíssimo Santo Antônio, vós que fostes um conhecedor da Bíblia e só por Ela caminhou, incansavelmente, fazei com que eu encontre na Palavra de Deus uma fonte de sabedoria divina para cumprir a missão a qual, um dia, fui chamado. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

12º Dia
“Aquele que me viu, viu também o Pai” (Jo 14, 9).
Quando entrou para a Ordem franciscana teve uma vida escondida, parecida com a de Cristo antes de Sua vida pública. Dedicava-se à oração, à meditação, ao esquecimento de si mesmo. Deus lhe ensinara a serenidade de mente e coração, características próprias da alma abandonada em Deus. Por isso, sentia-se livre dos assaltos exteriores e das paixões. Deus foi para ele um Pai e educador, e ele soube aproveitar abundantemente desse Mestre.
Tinha um profundo amor por Jesus. Dizia que Cristo nos foi dado para que vivendo nEle, amássemos a Deus; viver sem Jesus é um morrer.
Quase nos últimos dias de sua vida terrena, foi visitado pelo Menino Jesus. O conde Tiso viu o Menino Jesus acariciando-lhe a fronte em uma de suas noites de oração e contemplação. Santo Antônio pediu que não contasse a ninguém, e só foi revelado o fato depois de sua morte.
O Cristo de Santo Antônio era o Cristo da Bíblia, do Calvário, o Rei e Centro de tudo. O Cristo que revelou os segredos do Pai, libertou os homens do medo da morte e os ressuscitou para a vida eterna.
A sua intimidade com Cristo enfurecia Satanás, por isso, desde a sua infância, ele o quis pegar. A origem do exorcismo ocorreu com a “bênção de Santo Antônio”, quando era ainda um adolescente.

Reflexão
1. Sempre quis estar próximo de Cristo para poder estar próximo do Pai e sentir todo o Seu amor. A minha vida de oração me leva a Cristo e, conseqüentemente, ao Pai, tornando-me, desta forma, livre das paixões e assaltos exteriores?
2. Para ele viver sem Cristo é um morrer. Tenho vivido suficientemente com Cristo para não morrer?

Oração
Fidelíssimo Santo Antônio, vós que fostes agraciado pela presença física do Menino Jesus, fazei com que eu também experimente este encontro pessoal com Jesus para que eu tenha uma vida plena em Deus. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

13º Dia
“Disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe” (Jo 19, 26-27).
Santo Antônio desde o nascimento foi mariano. Sua mãe o consagrou à Maria logo que nasceu, sem saber que ele tinha nascido no dia da festa da Assunção de Nossa Senhora, e pediu que Ela fosse sua protetora e mãe. E isto, Maria fez muito bem.
Sempre foi devotíssimo de Nossa Senhora e nos seus sermões, freqüentemente, a saudava. Estava em Tolosa, Paris, e sentia-se profundamente triste porque as pessoas não queriam crer que Maria tinha sido recebida no céu em corpo e alma. Quase ninguém acreditava nesta verdade e seu coração doía, pois ele estava falando da Mãe de Jesus. Mas, Nossa Senhora o consolou quando apareceu a ele e lhe disse: “Fique certo, meu filho, que este meu corpo, Arca do Verbo Encarnado, foi preservado da corrupção do túmulo”. Logo após a aparição, Ela lhe pediu para que divulgasse essa mensagem.
O Santo Padre Pio XII, em 1950, proclamou a Assunção Corporal de Nossa Senhora como dogma de fé. E essa aparição de Nossa Senhora ao santo foi o principal testemunho para o fato. Foi uma bênção de Deus ter ele nascido nesse dia tão glorioso para os católicos filhos de Maria.
O Pai deu a Cristo a divindade; Maria, a humanidade. Ela é a “medianeira”, é ela que recompõe e pacifica o pecador com Deus. É modelo para todos que pretendem se aproximar de Deus para adorá-Lo em “espírito e verdade”. Era desse modo que via e amava a Mãe do Filho de Deus.

Reflexão
1. Santo Antônio conheceu, por meio de sua devoção à Maria, o Cristo em Sua humanidade e divindade e, conseqüentemente, pôde participar do mistério do Pai. Maria tem sido verdadeiramente, esse elo de união entre mim e Deus, isto é, ela tem participado da minha busca de identificação com Deus a partir de Cristo?
2. Adorava Deus em “espírito e em verdade”, porque a Mãe o aproximava do Pai. Quanta alegria teve Santo Antônio ao receber todo o consolo de Maria em face ao descrédito das pessoas em relação a Sua assunção. O rosário que medito, diariamente, tem sido o caminho espiritual para o meu encontro com Cristo e, conseqüentemente, com o Pai? Ele tem me feito um adorador em espírito e verdade?

Oração
Amabilíssimo Santo Antônio, vós que tínheis como Mãe e protetora, Maria Santíssima, fazei que eu, pela prática do santo rosário, possa me encontrar com Deus e contemplá-Lo em plenitude, numa perfeita união com Jesus. Amém.
→ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória.
→ Santo Antônio, rogai por nós.

Novena ao Imaculado Coração 3º dia

imaculado carisma

“Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia. [...] Como viesse a faltar vinho, a Mãe de Jesus disse-Lhe: Eles já não têm vinho” (João 2, 1ss).

A Mãe, por natureza, conhece as necessidades dos seus filhos. Nutre-os ainda no ventre, dando do seu próprio sangue, alimenta-os, mais tarde, com o seu leite e está sempre pronta para socorrê-los.
Assim é Nossa Senhora! Nas bodas de Caná revela-se uma mulher atenta à realidade que se passa ao seu redor. E, com toda sabedoria, Ela faz o que lhe cabe.
Maria sabe que Jesus é a fonte de vida e salvação! Ela entende que Ele é quem deve agir e, por isso, não tenta resolver tudo sozinha, mas apenas apresenta ao Filho uma situação e espera que Ele faça o que achar melhor.
Na nossa história de fé, o Imaculado Coração de Maria é e sempre será o coração da mãe que cuida do filho. Ela conhece todas as nossas necessidades e não se cansa de apresentá-las ao Senhor. Quem caminha com Ela traz dentro de si a certeza de que, no momento certo, Jesus irá transformar a água em vinho, no “melhor vinho” (cf. Jo 2, 1-12).

Reflexão:
1. Maria é uma mulher atenta à realidade que se passa ao seu redor e, com toda sabedoria, Ela faz o que lhe cabe. Na minha vida existe uma preocupação insistente com o que acontece à minha volta? Diante dos problemas que percebo, procuro fazer o que me cabe, de forma viva e dinâmica, ou fico sempre esperando que alguém tome a iniciativa?
2. Quem caminha com Maria traz dentro de si a certeza de que, no momento certo, Jesus irá transformar a água em vinho. O meu relacionamento com Nossa Senhora tem me feito rezar como Ela, apresentando as minhas necessidades para Jesus e esperando que Ele faça o que achar melhor?

Oração:
Coração Imaculado de Maria, coração de mãe, coloca em mim o desejo de amadurecer na minha humanidade; desperta-me para o serviço e capacita-me para o trabalho. Que a sua intercessão arranque de mim a omissão e a tibieza e que, eu aprenda com o Seu exemplo a apresentar todas as minhas necessidades a Jesus e a esperar que Ele faça o melhor. Amém!
→ Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
→ Imaculado Coração de Maria, sede a nossa providência!

→ Ladainha do Imaculado Coração de Maria.

Senhor, tende compaixão de nós.
Jesus Cristo, tende compaixão de nós.
Senhor, tende compaixão de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai celestial, tende piedade de nós.
Deus Filho Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, santificador das almas, tende piedade de nós.
Trindade Santa que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Coração de Maria, sempre imaculado, rogai por nós.
Coração de Maria, cheio de graça, *
Coração de Maria, bendito entre todos os corações, *
Coração de Maria, sacrário da Santíssima Trindade, *
Coração de Maria, semelhantíssimo ao Coração de Jesus, *
Coração de Maria, objeto das complacências do Coração de Jesus, *
Coração de Maria, formoso como o lírio entre os espinhos, *
Coração de Maria, coroado de rosas de inocência, *
Coração de Maria, sempre oculto às ciladas do inimigo, *
Coração de Maria, medianeira entre Deus e os homens, *
Coração de Maria, que conservais os segredos do céu, *
Coração de Maria, abismo de humildade, *
Coração de Maria, trono de misericórdia, *
Coração de Maria, que amais o Pai com amor de Filha, *
Coração de Maria, unido ao Filho com amor de Mãe, *
Coração de Maria, unido ao Espírito Santo com amor de Esposa, *
Coração de Maria, oceano de bondade, *
Coração de Maria, milagre de inocência e pureza, *
Coração de Maria, espelho de todas as perfeições divinas, *
Coração de Maria, onde se formou o sangue de Cristo, preço de nossa redenção, *
Coração de Maria, que com os vossos desejos apressastes a salvação do mundo, *
Coração de Maria, que alcançastes a graça aos pecadores, *
Coração de Maria, que conservastes fidelissimamente as palavras e ações de Jesus, *
Coração de Maria, transpassado pela espada de dor, *
Coração de Maria, aflitíssimo na paixão de Cristo, *
Coração de Maria, pregado na Cruz com Cristo, *
Coração de Maria, sepultado pela dor e com Jesus enterrado, *
Coração de Maria, vivificado pela alegria na ressurreição, *
Coração de Maria, cheio de doçura na Ascensão de Jesus, *
Coração de Maria, cumulado de nova plenitude de graça vinda do Espírito Santo, *
Coração de Maria, consolo dos aflitos, *
Coração de Maria, refúgio dos pecadores, *
Coração de Maria, esperança e doce apoio de vossos devotos, *
Coração de Maria, auxílio dos moribundos, *
Coração de Maria, alegria de todos os santos, *

*rogai por nós!
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Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende misericórdia de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Rogai por nós, Coração Imaculado de Maria,
Para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Cristo.

Oremos:
Deus de bondade, que enchestes o Coração santíssimo e Imaculado de Maria dos sentimentos de misericórdia e de ternura, de que foi sempre penetrado o Coração de Jesus Cristo, Vosso Filho, concedei a todos aqueles que honram esse Coração virginal, a graça de conservar até à morte uma perfeita conformidade, de sentimentos e inclinações, com o Coração Sagrado de Jesus Cristo, que vive e reino convosco e o Espírito Santo por todos os séculos. Amém.

12. As promessas de Jesus para quem fizer os nove primeiros sábados do mês consecutivos em honra do Coração Imaculado de Maria:

1. Tudo o que pedirem ao meu Coração através do Coração de minha Mãe, conceder-lhes-ei já durante a novena, desde que seja conforme aos decretos divinos e que me peçam com confiança.
2. Durante todas as circunstâncias da vida, se beneficiarão da assistência especial de Minha Mãe e de sua bênção.
3. Reinarão a paz, o entendimento e o amor nas suas almas e nas suas famílias.
4. Suas famílias não sofrerão escândalos, nem decepções, nem injustiças.
5. Os esposos não se separarão; os separados voltarão ao lar.
6. As famílias viverão em harmonia e perseverarão na verdadeira fé.
7. As gestantes desfrutarão da proteção especial de minha Mãe e obterão tudo o que pedirem para si, bem como para sua criança.
8. Os pobres encontrarão morada e alimentação.
9. As almas encontrarão consolo na oração e no sofrimento e aprenderão a amar a Deus, ao próximo e a seus inimigos.
10. Os pecadores se converterão, sem muitas resistências, mesmo se a novena for feita para eles por outra pessoa.
11. Os pecadores não recairão em seus pecados e receberão, não somente o perdão dos seus pecados, mas ainda a inocência batismal pela contrição perfeita e o amor.
12. Quem fizer esta novena em estado de graça, depois de cumpri-la, não ofenderá mais meu Coração, por nenhuma falta grave, até a morte (vale especialmente para as crianças).
13. A alma que se converter sinceramente escapará não somente do fogo do Inferno, mas ainda do fogo do Purgatório.
14. As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas e, mantendo-se zelosas, chegarão rapidamente à mais alta perfeição e santidade.
15. Se forem os pais ou outro membro da família que fizer a novena, nenhum dos filhos ou membro desta família se condenará.
16. Muitos jovens obterão, com a novena, a vocação sacerdotal ou religiosa.
17. Aqueles que tiverem perdido a fé reencontrá-la-ão e os desgarrados voltarão à verdadeira Igreja (Católica Apostólica Romana).
18. Os Sacerdotes e Religiosos permanecerão fiéis à sua vocação. Os infiéis receberão a graça do arrependimento e do retorno.
19. Os pais e os superiores serão socorridos em suas necessidades, não somente espirituais, mas também materiais.
20. As almas escaparão facilmente às tentações da carne, às do mundo e de Satanás.
21. Os orgulhosos se tornarão, em pouco tempo, humildes e os rancorosos se deixarão vencer pelo amor.
22. As almas zelosas desfrutarão das doçuras da oração e dos sacrifícios; elas não serão perturbadas nem pela inquietação, nem pelo medo, nem pela dúvida.
23. Os moribundos passarão desta vida sem agonia e não terão que lutar nem mesmo contra os últimos assaltos de satanás. Uma morte súbita e imprevista não os surpreenderá.
24. Os agonizantes serão tomados por um vivo desejo de vida eterna, se conformando com a minha vontade e morrendo nos braços de minha Mãe.
25. Ao julgamento de Deus eles se beneficiarão da proteção especial de minha Mãe.
26. As almas obterão a graça de sentir compaixão e amor, contemplando minha Paixão e as dores de minha Mãe.
27. As almas que aspiram à perfeição terão a honra de receber as principais virtudes de minha Mãe: humildade, castidade e amor.
28. Uma certa alegria interior e exterior, bem como a calma os acompanhará, tanto na doença, como na saúde.
29. As almas apaixonadas de espiritualidade receberão a graça de usufruir sem muitas dificuldades, da constante presença de minha Mãe e da minha.
30. As almas que tiverem progredido na união mística comigo, obterão a graça de perceberem, já não serem elas que vivem, mas Eu nelas, isto é: com o coração delas vivo Eu, com as almas delas rezo Eu, com a língua delas falo Eu, com todo o ser delas, sou eu que faço tudo. Elas viverão a maravilhosa experiência de sentir que o que vibra nelas de bom, de belo, de santo, de humilde, de doce, de obediente, de feliz e de prodigioso, é, em tudo e sempre, Eu mesmo, o Deus todo poderoso, o infinito, o único Senhor, o único Amor, o Deus único.
31. As almas que fizerem essa novena resplandecerão durante toda a eternidade como lírios puros em volta do Coração Imaculado de minha Mãe.
32. Eu, o Divino Cordeiro, em meu Pai, com o Espírito Santo, me regozijarei eternamente por causa dessas almas que resplandecerão como lírios sobre o Coração Imaculado de minha Mãe e que alcançaram a glória através do meu Sagrado Coração.
33. As almas apaixonadas de espiritualidade progredirão rapidamente na prática da fé e da vida virtuosa.

→ Consagração individual ao Imaculado Coração de Maria.

Maria, Virgem poderosa e Mãe de misericórdia, Rainha do Céu e refúgio dos pecadores, nós nos consagramos ao vosso Coração Imaculado. Nós vos consagramos o nosso ser e a nossa vida inteira, tudo o que temos, tudo o que amamos, tudo o que somos. A vós nossos corpos, nossos corações, nossas almas. A vós nossos lares, nossas famílias, nossa Comunidade, nossa Pátria. Queremos que tudo em nós, tudo o que nos rodeia vos pertença e participe dos benefícios de vossas bênçãos maternais. E para que esta consagração seja realmente eficaz e duradoura, nós renovamos hoje, a vossos pés, Maria, as promessas do nosso Batismo e de nossa Primeira Comunhão.
Nós nos comprometemos a professar corajosamente e sempre as verdades da fé, a viver como católicos inteiramente submissos a todas as ordens do Papa e dos Bispos que estão em comunhão com ele. Nós prometemos observar os Mandamentos de Deus e da Igreja e, particularmente a santificação do domingo. Nós prometemos arraigar na nossa vida, quanto nos for possível, as consoladoras práticas da religião cristã e principalmente da Sagrada Comunhão.
Nós vos prometemos finalmente, gloriosa Mãe de Deus e carinhosa Mãe dos homens, dispor todo o nosso coração ao serviço do vosso culto bendito, a fim de apressar, de assegurar, pelo Reino de vosso Imaculado Coração, o Reino do Coração de Vosso Filho adorado, nas nossas almas e em todas as almas, na nossa pátria querida e no mundo inteiro, assim na terra como no Céu. Amém.
Salve Rainha...
Imaculado Coração de Maria, sede a nossa providência!

Caderno de Espiritualidade Luz da Vida