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Santa Maria, velai nosso ano.

santaROM91233 Articolo

Iniciamos mais um ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo: 2016. E iniciamos este ano de joelhos, pedindo que a graça divina ilumine os dias que se sucederam na nossa história, tão marcada pela maldade humana e pela perversidade da disputa do poder, da inveja, da calúnia e da maledicência, particularmente daquela feita digital.
Mais do que contar mais um ano civil, no nosso calendário gregoriano, queremos pedir que a Virgem Maria, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nos carregue, como carregou o Menino Jesus, em seu colo, a nós que a proclamamos verdadeiramente a Mãe de Deus e da Santa Igreja, para vivermos intensamente a paz. Maria foi o terreno em que Deus fecundou o seu amor pelos filhos e nos ajudou a compreender que só podemos viver se proclamamos a paz pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo.
São Paulo, em sua carta aos Gálatas, ensina que: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei para que todos recebêssemos a filiação adotiva. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá – ó Pai. Assim, já não és escravo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro: tudo isso por graça de Deus”(Gl 4,4-7). Assim a filiação divina nos é dada em Jesus, nascido de Maria, em que Deus oferece a plenitude de sua paz para a humanidade, tornando-a testemunha privilegiada e anunciadora dos dons divinos.
A figura do Evangelho de São Lucas nos apresenta hoje os pastores, “que foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura”. Somos, no início do ano, convidados a sermos peregrinos do Divino Infante. Somos convidados a peregrinar para a manjedoura do nosso coração e encontrar Maria, José o Menino Jesus, guardando em nosso coração, como Maria Santíssima, a glória e o louvor de Deus para fazermos não a nossa vontade, mas a vontade de Deus.
Abre-se para nós um novo ano e com ele as alegrias e esperanças. Mas, infelizmente, também as decepções e as dificuldades que continuam do ano que foi encerrado, particularmente na indefinição política, na busca dos interesses pessoais em detrimento dos interesses do povo, na depredação irresponsável da natureza pelas mineradoras, que sugando lucro fácil, deixaram morte e devastação desde Mariana até o litoral capixaba, assolando fauna, flore e matando o nosso querido Rio Doce, trazendo sofrimento e desabastecimento de água e ceifando a profissão de muitos irmão nossos ribeirinhos. Quero fazer um apelo a você, meu querido leitor, que o ano que se inicia, seja como o da vontade de Deus, que de muitos modos, outrora nos falou pelos profetas; nestes dias derradeiros, vem nos falar pelo seu Filho Jesus, o Redentor da Humanidade, o príncipe da paz.
2016 é o ano extraordinário da misericórdia. Só é misericordioso quem sabe viver e testemunhar a compaixão do nosso próprio Deus. Por isso sejamos ministros e anunciadores da misericórdia de Deus, sendo acolhedores, mais abertos, distribuindo o perdão e manifestando a graça da acolhida. A todos os que me acompanharam em 2015, e, com a graça de Deus vão me acompanhar pela rede mundial de computadores em 2016, quero lhe dar a bênção de Deus: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz”! (Cf. Nm 6,24-26).
Vivamos a misericórdia e deixemos que nosso coração, como o de Santa Maria, nos dê a paz que tanto precisamos viver e testemunhar! Que a Virgem Aparecida ilumine todos os nossos dias deste ano e que possamos venerá-la, não para deleite pessoal ou para aparecer na mídia, mais em ter como a Virgem de Aparecida os sentimentos verdadeiros “Quanto a Maria, guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração!”(Cf. Lc 2,19). Com o exemplo de Nossa Senhora Deus ilumine nosso itinerário no novo ano!
+ Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora, MG.

Nossa Senhora, a Porta da Misericórdia

Nossa-Senhora-a-Porta-da-Misericórdia

Conheça a história do ícone de Nossa Senhora “Porta da Misericórdia”, o significado deste título e o que este diz respeito a nós.
O antigo ícone de Nossa Senhora Porta da Misericórdia, do Santuário Greco-católico da Transfiguração do Senhor, situado na cidade de Jaroslaw, no sudeste da Polônia, acompanhou a celebração da celebração eucarística e o rito de abertura da Porta Santa, na Basílica de São Pedro. A presença do ícone na celebração de abertura do Ano Santo da Misericórdia torna-se ainda mais significativa se considerarmos que o Santuário de Jaroslaw está situado a pouco mais de 200 km do Santuário da Divina Misericórdia, situado em Cracóvia, na Polônia. Papa Francisco tomou conhecimento da existência do ícone através do Frei Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, na Cidade do Vaticano. Então, Papa Francisco expressou o desejo do ícone da “Porta da Misericórdia” estar na cerimônia de abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro. Graças a intervenção de Piotr Nowina, embaixador da Polônia, junto às autoridades polonesas e da Igreja Greco-católica, foi possível adiantar todos os trâmites legais necessários para que o ícone estivesse a tempo na celebração da abertura do Ano Santo da Misericórdia e na cerimônia de abertura da Porta Santa1, que se realizou no último dia 8 de Dezembro, na Solenidade da Imaculada Conceição de Maria.
Conheça a história do ícone de Nossa Senhora “Porta da Misericórdia”, o significado deste título e o que este diz respeito a nós.
Nossa Senhora Porta da Misericórdia
O ícone de Nossa Senhora Porta da Misericórdia, venerado pelos católicos de rito bizantino, foi pintado em 1640. Em 1779, a imagem foi reconhecida como “milagrosa” pelo Papa Pio VI. Alguns anos mais tarde, em 1996, o Papa João Paulo II enviou um representante com uma coroa para ser colocada no ícone. Uma réplica da imagem é venerada pelos católicos ucranianos em Buenos Aires, na Argentina, onde serviu o falecido bispo ucraniano Stephan Chmil. Por ocasião do Ano da Misericórdia, a imagem foi designada como ícone do Ano Santo da Igreja Greco-católica ucraniana. O ícone, que combina as tradições ocidentais e orientais, foi escolhido pelo Papa Francisco como um sinal de ânimo para todos os cristãos e também com a finalidade de alcançar a unidade e a paz no mundo inteiro2. Diante da importância deste ícone no Ano Santo da Misericórdia, meditemos a partir das palavras do Frei Raniero Cantalamessa, proferidas na terceira pregação do Advento, que referiu-se a Nossa Senhora como Porta da Misericórdia. Esta reflexão torna-se ainda mais relevante e significativa se considerarmos que esta “Porta da Misericórdia” diz respeito não somente ao Ano Jubilar, mas também a todo o Mistério da Redenção da humanidade e a cada um de nós em particular.

A Mãe de Deus: porta pela qual a misericórdia entrou no mundo
A Virgem Maria “foi a porta através da qual a misericórdia de Deus, com Jesus, entrou no mundo”3. Dessa forma, Nossa Senhora tornou-se a “Porta da Misericórdia”, através da qual o Filho de Deus, e com Ele a misericórdia divina, veio ao mundo. Entretanto, a Virgem de Nazaré somente pôde ser esta Porta da Misericórdia, através da qual o Menino Deus veio ao mundo, justamente porque ela foi a primeira a passar por essa Porta. A Mãe de Deus foi a primeira a receber a misericórdia divina, os méritos infinitos da paixão, morte e ressurreição de seu Filho Jesus Cristo, na sua Imaculada Conceição. Por isso, é muito significativo que o Ano da Misericórdia tenha iniciado na sua Solenidade comemorativa. Desse modo, a Santíssima Virgem nos precedeu na passagem da Porta Santa, pois experimentou antecipadamente a misericórdia divina, com a finalidade de tornar-se a verdadeira “Porta da Misericórdia”, através da qual Jesus Cristo entrou no mundo, e com Ele a misericórdia de Deus. A Virgem Maria precedeu não somente a humanidade, recebendo a misericórdia divina antecipadamente, mas a própria Igreja, que como Ela é também chamada a ser Porta da Misericórdia para os pobres pecadores. Enquanto Igreja, somos chamados a ser esta Porta Santa através da qual Jesus Cristo entra nas casas, nas famílias, na vida de tantas pessoas que precisam da misericórdia de Deus. Ao mesmo tempo, devemos ajudar estas pessoas a fazer uma verdadeira experiência da misericórdia divina, através do arrependimento profundo de seus pecados, do sincera determinação em romper com todo o pecado e em viver segundo a lei de Deus e da Igreja.

Nossa Senhora: porta através da qual entramos na misericórdia
A Santíssima Virgem é “a porta por meio da qual nós entramos na misericórdia de Deus, nos apresentamos diante do ‘trono da misericórdia’ que é a Trindade”4. Estas afirmações podem parecer exageradas ou até infundadas e, por isso, alguns podem discordar e dizer que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens5. Com razão, pois esta é uma verdade bíblica inquestionável. Mas, isto não significa que não podemos ter um mediador junto ao único Mediador, já que esta mediação única se dá entre Jesus Cristo, que intercede por nós, e Deus. Além disso, não podemos negar também que Ele é o único Salvador dos homens6. Todavia, a respeito do acesso direto a Jesus Cristo, São Luís Maria Grignion de Montfort nos pergunta: “não teremos necessidade dum mediador junto do próprio Medianeiro? Será tão grande a nossa pureza que possamos unir-nos diretamente a Ele, e por nós mesmos? Não é Ele Deus, em tudo igual a seu Pai e, por conseguinte, o Santo dos santos, tão digno de respeito como o Pai? Pela sua infinita caridade tornou-se a nossa garantia e o nosso medianeiro junto de Deus, seu Pai, para aplacá-lo e pagar-lhe o que lhe devíamos. Mas será isso uma razão para termos menos respeito e temor à sua majestade e santidade?”7 Depois de pensar a respeito, reconheçamos a nossa pequenez e digamos abertamente “que temos necessidade dum mediador junto do mesmo Medianeiro, e que Maria Santíssima é a pessoa mais capaz de desempenhar esta função caridosa. Foi por Ela que nos veio Jesus Cristo; é por Ela que devemos ir a Ele”8. Desse modo, Nossa Senhora é a Porta da Misericórdia, através da qual devemos, no santo temor de Deus e na verdadeira humildade, entrar na misericórdia divina, nos apresentar diante da Santíssima Trindade.

A Mãe da Igreja: a porta pela qual recebemos a misericórdia
São Luís Maria ensina que “o procedimento que as três Pessoas da Santíssima Trindade tiveram na Encarnação e primeira vinda de Jesus Cristo, têm-no ainda todos os dias, duma maneira invisível, na Santa Igreja, e tê-lo-ão até a consumação dos séculos, na última vinda de Jesus Cristo”9. Deus Pai juntou todas as águas e chamou-as mar; juntou as suas graças, as suas misericórdias, e chamou-as Maria10. “Deus Filho comunicou à sua Mãe tudo o que adquiriu pela sua vida e morte, os Seus méritos infinitos e as suas admiráveis virtudes. Fê-la tesoureira de tudo o que o Pai lhe deu como herança. E assim é por meio de Maria que aplica os Seus méritos aos Seus membros, que comunica as suas virtudes e distribui as suas graças. Ela é o seu canal misterioso, o seu aqueduto, por onde faz passar, suave e abundantemente, as suas misericórdias”11. “Deus Espírito Santo comunicou a Maria, sua fiel esposa, os Seus dons inefáveis, e escolheu-a para dispensadora de tudo quanto possui”12. A Santíssima Trindade quis começar e terminar as suas maiores obras pela Santíssima Virgem e não mudará de procedimento em todos os séculos, pois Deus não muda em seus sentimentos e em sua conduta13. Isto significa que, se por Nossa Senhora recebemos Jesus Cristo na sua primeira vinda, e com ele a misericórdia divina, por ela continuaremos a receber seu Filho, e com Ele as suas misericórdias, até a Sua vinda gloriosa e definitiva no fim dos tempos14. Em outras palavras, Nossa Senhora é a Porta da Misericórdia, pela qual recebemos Jesus Cristo, a graça incriada, e com Ele todas as graças de Deus, ou seja, as Suas misericórdias, até a consumação eterna de todos os eleitos15. Nossa Senhora recebeu abundantemente estas misericórdias para tornar-se Trono da Misericórdia de Deus para nós. Na Virgem Maria está Jesus Cristo, e com Ele o Pai e o Espírito Santo. Dessa forma, “só podemos nos aproximar de Jesus por meio de Maria [ainda que não percebamos esta misteriosa realidade espiritual], bem como só podemos vê-lo e falar-lhe por intermédio de Maria. Jesus, que atende sempre à sua querida Mãe, concede neste mistério sua graça e misericórdia aos pobres pecadores”16. Então, compreendemos que a Santíssima Virgem é a Porta da Misericórdia, através da qual recebemos as misericórdias divinas, e que esta realidade espiritual é um insondável mistério de Deus.

A Virgem Imaculada: a verdadeira Porta da Misericórdia
A Santíssima Virgem Maria é a verdadeira Porta da Misericórdia, não porque as portas que se abrem no Ano Santo da Misericórdia são falsas, mas porque estas são imagens daquela que é a Porta Santa e Imaculada pela qual nos veio Jesus Cristo, e com Ele as misericórdias do Pai17. Nossa Senhora pôde ser esta Porta da Misericórdia porque ela é a “cheia de graça”18, a cheia de misericórdia, desde a sua Imaculada Conceição, por isso foi digna de ser Mãe de Deus. A Virgem Maria é também Porta da Misericórdia no sentido de que por ela temos acesso a Jesus Cristo e ao Trono da Misericórdia, que é a Santíssima Trindade. Por Nossa Senhora, nossas orações não somente chegam a Deus, mas são enriquecidas com seus méritos e preces. Ademais, a Mãe de Jesus é Porta da Misericórdia porque por ela recebemos todas as graças de Deus, todas as suas misericórdias. Na Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a promessa de Deus se cumpriu: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós”19. A Virgem Maria permaneceu tão intimamente unida a Deus que tornou-se para nós Trono da Misericórdia, onde está a Santíssima Trindade, de quem provém todas as graças, todas as misericórdias. No entanto, não devemos aproximarmo-nos temerariamente da Virgem Maria, que é a Porta da Misericórdia, sem reconhecer as nossos pecados e fazer o propósito de viver uma vida nova em Cristo20. Pois, como dizia o salmista, “meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado, ó Deus, que não haveis de desprezar”21. Pois, quem atrai os olhares do Senhor é o angustiado, de coração contrito e humilde, que teme a Palavra de Deus22. Sendo assim, conscientes de nossos pecados, de coração arrependido e com o propósito de mudar de vida, “aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno”23. Nossa Senhora Porta da Misericórdia, rogai por nós!

Referências:
1 RÁDIO VATICANO. Ícone mariano greco-católico na abertura da Porta Santa no Vaticano.
2 MISERICÓRDIA. “Porta da misericórdia”: Ícone de Maria pelo Ano Santo no Vaticano.
3 RÁDIO VATICANO. Francisco participa da última pregação do Advento.
4 Idem.
5 Cf. 1 Tim 2, 5.
6 Cf. At 4, 12.
7 TVD 85.
8 Idem, ibidem.
9 Idem, 22.
10 Idem, 23.
11 Idem, 24.
12 Idem, 25.
13 Idem, 15.
14 Cf. Ap 22, 12-20.
15 CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, 62.
16 TVD 248.
17 Cf. 2 Cor 1, 3.
18 Lc 1, 28.
19 Jo 15, 4.
20 Cf. Rm 6, 4.
21 Sl 50, 19.
22 Cf. Is 66, 2.
23 Hb 4, 16.

Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

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Nossa Senhora, a Porta da Misericórdia (2)

Nossa-Senhora-a-Porta-da-Misericórdia

Conheça a história do ícone de Nossa Senhora “Porta da Misericórdia”, o significado deste título e o que este diz respeito a nós.
O antigo ícone de Nossa Senhora Porta da Misericórdia, do Santuário Greco-católico da Transfiguração do Senhor, situado na cidade de Jaroslaw, no sudeste da Polônia, acompanhou a celebração da celebração eucarística e o rito de abertura da Porta Santa, na Basílica de São Pedro. A presença do ícone na celebração de abertura do Ano Santo da Misericórdia torna-se ainda mais significativa se considerarmos que o Santuário de Jaroslaw está situado a pouco mais de 200 km do Santuário da Divina Misericórdia, situado em Cracóvia, na Polônia. Papa Francisco tomou conhecimento da existência do ícone através do Frei Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, na Cidade do Vaticano. Então, Papa Francisco expressou o desejo do ícone da “Porta da Misericórdia” estar na cerimônia de abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro. Graças a intervenção de Piotr Nowina, embaixador da Polônia, junto às autoridades polonesas e da Igreja Greco-católica, foi possível adiantar todos os trâmites legais necessários para que o ícone estivesse a tempo na celebração da abertura do Ano Santo da Misericórdia e na cerimônia de abertura da Porta Santa1, que se realizou no último dia 8 de Dezembro, na Solenidade da Imaculada Conceição de Maria.
Conheça a história do ícone de Nossa Senhora “Porta da Misericórdia”, o significado deste título e o que este diz respeito a nós.
Nossa Senhora Porta da Misericórdia
O ícone de Nossa Senhora Porta da Misericórdia, venerado pelos católicos de rito bizantino, foi pintado em 1640. Em 1779, a imagem foi reconhecida como “milagrosa” pelo Papa Pio VI. Alguns anos mais tarde, em 1996, o Papa João Paulo II enviou um representante com uma coroa para ser colocada no ícone. Uma réplica da imagem é venerada pelos católicos ucranianos em Buenos Aires, na Argentina, onde serviu o falecido bispo ucraniano Stephan Chmil. Por ocasião do Ano da Misericórdia, a imagem foi designada como ícone do Ano Santo da Igreja Greco-católica ucraniana. O ícone, que combina as tradições ocidentais e orientais, foi escolhido pelo Papa Francisco como um sinal de ânimo para todos os cristãos e também com a finalidade de alcançar a unidade e a paz no mundo inteiro2. Diante da importância deste ícone no Ano Santo da Misericórdia, meditemos a partir das palavras do Frei Raniero Cantalamessa, proferidas na terceira pregação do Advento, que referiu-se a Nossa Senhora como Porta da Misericórdia. Esta reflexão torna-se ainda mais relevante e significativa se considerarmos que esta “Porta da Misericórdia” diz respeito não somente ao Ano Jubilar, mas também a todo o Mistério da Redenção da humanidade e a cada um de nós em particular.

A Mãe de Deus: porta pela qual a misericórdia entrou no mundo
A Virgem Maria “foi a porta através da qual a misericórdia de Deus, com Jesus, entrou no mundo”3. Dessa forma, Nossa Senhora tornou-se a “Porta da Misericórdia”, através da qual o Filho de Deus, e com Ele a misericórdia divina, veio ao mundo. Entretanto, a Virgem de Nazaré somente pôde ser esta Porta da Misericórdia, através da qual o Menino Deus veio ao mundo, justamente porque ela foi a primeira a passar por essa Porta. A Mãe de Deus foi a primeira a receber a misericórdia divina, os méritos infinitos da paixão, morte e ressurreição de seu Filho Jesus Cristo, na sua Imaculada Conceição. Por isso, é muito significativo que o Ano da Misericórdia tenha iniciado na sua Solenidade comemorativa. Desse modo, a Santíssima Virgem nos precedeu na passagem da Porta Santa, pois experimentou antecipadamente a misericórdia divina, com a finalidade de tornar-se a verdadeira “Porta da Misericórdia”, através da qual Jesus Cristo entrou no mundo, e com Ele a misericórdia de Deus. A Virgem Maria precedeu não somente a humanidade, recebendo a misericórdia divina antecipadamente, mas a própria Igreja, que como Ela é também chamada a ser Porta da Misericórdia para os pobres pecadores. Enquanto Igreja, somos chamados a ser esta Porta Santa através da qual Jesus Cristo entra nas casas, nas famílias, na vida de tantas pessoas que precisam da misericórdia de Deus. Ao mesmo tempo, devemos ajudar estas pessoas a fazer uma verdadeira experiência da misericórdia divina, através do arrependimento profundo de seus pecados, do sincera determinação em romper com todo o pecado e em viver segundo a lei de Deus e da Igreja.

Nossa Senhora: porta através da qual entramos na misericórdia
A Santíssima Virgem é “a porta por meio da qual nós entramos na misericórdia de Deus, nos apresentamos diante do ‘trono da misericórdia’ que é a Trindade”4. Estas afirmações podem parecer exageradas ou até infundadas e, por isso, alguns podem discordar e dizer que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens5. Com razão, pois esta é uma verdade bíblica inquestionável. Mas, isto não significa que não podemos ter um mediador junto ao único Mediador, já que esta mediação única se dá entre Jesus Cristo, que intercede por nós, e Deus. Além disso, não podemos negar também que Ele é o único Salvador dos homens6. Todavia, a respeito do acesso direto a Jesus Cristo, São Luís Maria Grignion de Montfort nos pergunta: “não teremos necessidade dum mediador junto do próprio Medianeiro? Será tão grande a nossa pureza que possamos unir-nos diretamente a Ele, e por nós mesmos? Não é Ele Deus, em tudo igual a seu Pai e, por conseguinte, o Santo dos santos, tão digno de respeito como o Pai? Pela sua infinita caridade tornou-se a nossa garantia e o nosso medianeiro junto de Deus, seu Pai, para aplacá-lo e pagar-lhe o que lhe devíamos. Mas será isso uma razão para termos menos respeito e temor à sua majestade e santidade?”7 Depois de pensar a respeito, reconheçamos a nossa pequenez e digamos abertamente “que temos necessidade dum mediador junto do mesmo Medianeiro, e que Maria Santíssima é a pessoa mais capaz de desempenhar esta função caridosa. Foi por Ela que nos veio Jesus Cristo; é por Ela que devemos ir a Ele”8. Desse modo, Nossa Senhora é a Porta da Misericórdia, através da qual devemos, no santo temor de Deus e na verdadeira humildade, entrar na misericórdia divina, nos apresentar diante da Santíssima Trindade.

A Mãe da Igreja: a porta pela qual recebemos a misericórdia
São Luís Maria ensina que “o procedimento que as três Pessoas da Santíssima Trindade tiveram na Encarnação e primeira vinda de Jesus Cristo, têm-no ainda todos os dias, duma maneira invisível, na Santa Igreja, e tê-lo-ão até a consumação dos séculos, na última vinda de Jesus Cristo”9. Deus Pai juntou todas as águas e chamou-as mar; juntou as suas graças, as suas misericórdias, e chamou-as Maria10. “Deus Filho comunicou à sua Mãe tudo o que adquiriu pela sua vida e morte, os Seus méritos infinitos e as suas admiráveis virtudes. Fê-la tesoureira de tudo o que o Pai lhe deu como herança. E assim é por meio de Maria que aplica os Seus méritos aos Seus membros, que comunica as suas virtudes e distribui as suas graças. Ela é o seu canal misterioso, o seu aqueduto, por onde faz passar, suave e abundantemente, as suas misericórdias”11. “Deus Espírito Santo comunicou a Maria, sua fiel esposa, os Seus dons inefáveis, e escolheu-a para dispensadora de tudo quanto possui”12. A Santíssima Trindade quis começar e terminar as suas maiores obras pela Santíssima Virgem e não mudará de procedimento em todos os séculos, pois Deus não muda em seus sentimentos e em sua conduta13. Isto significa que, se por Nossa Senhora recebemos Jesus Cristo na sua primeira vinda, e com ele a misericórdia divina, por ela continuaremos a receber seu Filho, e com Ele as suas misericórdias, até a Sua vinda gloriosa e definitiva no fim dos tempos14. Em outras palavras, Nossa Senhora é a Porta da Misericórdia, pela qual recebemos Jesus Cristo, a graça incriada, e com Ele todas as graças de Deus, ou seja, as Suas misericórdias, até a consumação eterna de todos os eleitos15. Nossa Senhora recebeu abundantemente estas misericórdias para tornar-se Trono da Misericórdia de Deus para nós. Na Virgem Maria está Jesus Cristo, e com Ele o Pai e o Espírito Santo. Dessa forma, “só podemos nos aproximar de Jesus por meio de Maria [ainda que não percebamos esta misteriosa realidade espiritual], bem como só podemos vê-lo e falar-lhe por intermédio de Maria. Jesus, que atende sempre à sua querida Mãe, concede neste mistério sua graça e misericórdia aos pobres pecadores”16. Então, compreendemos que a Santíssima Virgem é a Porta da Misericórdia, através da qual recebemos as misericórdias divinas, e que esta realidade espiritual é um insondável mistério de Deus.

A Virgem Imaculada: a verdadeira Porta da Misericórdia
A Santíssima Virgem Maria é a verdadeira Porta da Misericórdia, não porque as portas que se abrem no Ano Santo da Misericórdia são falsas, mas porque estas são imagens daquela que é a Porta Santa e Imaculada pela qual nos veio Jesus Cristo, e com Ele as misericórdias do Pai17. Nossa Senhora pôde ser esta Porta da Misericórdia porque ela é a “cheia de graça”18, a cheia de misericórdia, desde a sua Imaculada Conceição, por isso foi digna de ser Mãe de Deus. A Virgem Maria é também Porta da Misericórdia no sentido de que por ela temos acesso a Jesus Cristo e ao Trono da Misericórdia, que é a Santíssima Trindade. Por Nossa Senhora, nossas orações não somente chegam a Deus, mas são enriquecidas com seus méritos e preces. Ademais, a Mãe de Jesus é Porta da Misericórdia porque por ela recebemos todas as graças de Deus, todas as suas misericórdias. Na Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a promessa de Deus se cumpriu: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós”19. A Virgem Maria permaneceu tão intimamente unida a Deus que tornou-se para nós Trono da Misericórdia, onde está a Santíssima Trindade, de quem provém todas as graças, todas as misericórdias. No entanto, não devemos aproximarmo-nos temerariamente da Virgem Maria, que é a Porta da Misericórdia, sem reconhecer as nossos pecados e fazer o propósito de viver uma vida nova em Cristo20. Pois, como dizia o salmista, “meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado, ó Deus, que não haveis de desprezar”21. Pois, quem atrai os olhares do Senhor é o angustiado, de coração contrito e humilde, que teme a Palavra de Deus22. Sendo assim, conscientes de nossos pecados, de coração arrependido e com o propósito de mudar de vida, “aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno”23. Nossa Senhora Porta da Misericórdia, rogai por nós!

Referências:
1 RÁDIO VATICANO. Ícone mariano greco-católico na abertura da Porta Santa no Vaticano.
2 MISERICÓRDIA. “Porta da misericórdia”: Ícone de Maria pelo Ano Santo no Vaticano.
3 RÁDIO VATICANO. Francisco participa da última pregação do Advento.
4 Idem.
5 Cf. 1 Tim 2, 5.
6 Cf. At 4, 12.
7 TVD 85.
8 Idem, ibidem.
9 Idem, 22.
10 Idem, 23.
11 Idem, 24.
12 Idem, 25.
13 Idem, 15.
14 Cf. Ap 22, 12-20.
15 CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, 62.
16 TVD 248.
17 Cf. 2 Cor 1, 3.
18 Lc 1, 28.
19 Jo 15, 4.
20 Cf. Rm 6, 4.
21 Sl 50, 19.
22 Cf. Is 66, 2.
23 Hb 4, 16.

Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

Site Canção Nova

São João Paulo II explica porque Maria é mãe de Deus.

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Em livro, são João Paulo II explicou porque Maria é mãe de Deus

A contemplação do mistério do nascimento do Salvador tem levado o povo cristão não só a dirigir-se a Virgem Santa como a Mãe de Jesus, como também a reconhecê-la como Mãe de Deus. Essa verdade foi aprofundada e compreendida como pertencente ao patrimônio da fé da Igreja, já desde os primeiros séculos da era cristã, até ser solenemente proclamada pelo Concílio de Éfeso no ano 431.
Na primeira comunidade cristã, enquanto cresce entre os discípulos a consciência de que Jesus é o Filho de Deus, resulta bem mais claro que Maria é a Theotokos, a Mãe de Deus. Trata-se de um título que não aparece explicitamente nos textos evangélicos, embora eles recordem “a Mãe de Jesus” e afirmem que Ele é Deus (Jo. 20,28; cf. 05,18; 10,30.33). Em todo o caso, Maria é apresentada como Mãe do Emanuel, que significa Deus conosco (cf. mt. 01,22-23).

“Theotokos” não tem nada a ver com mitologia

Já no século III, como se deduz de um antigo testemunho escrito, os cristãos do Egito dirigiam-se a Maria com esta oração: “Sob a vossa proteção procuramos refúgio, Santa Mãe de Deus! Não desprezeis as súplicas de nós, que estamos na prova, e livrai-nos de todo perigo, ó Virgem gloriosa e bendita” (Da Liturgia das Horas). Neste antigo testemunho, a expressão Theotokos, “Mãe de Deus”, aparece pela primeira vez de forma explícita.

Na mitologia pagã, acontecia com frequência que alguma deusa fosse apresentada como Mãe de um deus. Zeus, por exemplo, deus supremo, tinha por Mãe a deusa Reia. Esse contexto facilitou talvez, entre os cristãos, o uso do título “Theotokos”, “Mãe de Deus”, para a Mãe de Jesus. Contudo, é preciso notar que esse título não existia, mas foi criado pelos cristãos, para exprimir uma fé que não tinha nada a ver com a mitologia pagã, a fé na concepção virginal, no seio de Maria, d’’Aquele que, desde sempre, era o Verbo Eterno de Deus.

O Concílio de Éfeso proclamou Maria Mãe de Deus

No século IV, o termo Theotokos é já de uso frequente no Oriente e no Ocidente. A piedade e a teologia fazem referência, de modo cada vez mais frequente, a esse termo, já encontrado no patrimônio de fé da Igreja.

Compreende-se, por isso, o grande movimento de protesto, que se manifestou no século V, quando Nestório pôs em dúvida a legitimidade do título “Mãe de Deus”. Ele, de fato, propenso a considerar Maria somente como Mãe do homem Jesus, afirmava que só era doutrinalmente correta a expressão “Mãe de Cristo”. Nestório era induzido a esse erro pela sua dificuldade de admitir a unidade da pessoa de Cristo, e pela interpretação errônea da distinção entre as duas naturezas – divina e humana – presentes n’’Ele.

O Concílio de Éfeso, no ano 431, condenou as suas teses e, afirmando a subsistência da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Filho, proclamou Maria Mãe de Deus.

As dificuldades e as objeções apresentadas por Nestório oferecem-nos agora a ocasião para algumas reflexões úteis, a fim de compreendermos e interpretarmos de modo correto esse título.


O que quer dizer Theotokos

A expressão Theotokos, que literalmente significa “aquela que gerou Deus”, à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a geração humana do Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina. O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é Lhe consubstancial. Nessa geração eterna, Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi então concebido e dado à luz por Maria.

Proclamando Maria “Mãe de Deus”, a Igreja quer, portanto, afirmar que Ela é a “Mãe do Verbo encarnado, que é Deus”. Por isso, a sua maternidade não se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana.

A maternidade é relação entre pessoa e pessoa: uma mãe não é Mãe apenas do corpo ou da criatura física saída do seu seio, mas da pessoa que ela gera. Maria, portanto, tendo gerado segundo a natureza humana a pessoa de Jesus, que é a pessoa divina, é Mãe de Deus.

Ao proclamar Maria “Mãe de Deus”, a Igreja professa com uma única expressão a sua fé acerca do Filho e da Mãe. Essa união emerge já no Concílio de Éfeso. Com a definição da maternidade divina de Maria, os padres queriam evidenciar a sua fé à divindade de Cristo. Não obstante as objeções, antigas e recentes, acerca da oportunidade de atribuir esse título a Maria, os cristãos de todos os tempos, interpretando corretamente o significado dessa maternidade, tornaram-no uma expressão privilegiada da sua fé na divindade de Cristo e do seu amor para com a Virgem.

Theotokos garantia da realidade da Encarnação

Na Theotokos, a Igreja, por um lado, reconhece a garantia da realidade da Encarnação, porque – como afirma Santo Agostinho,–” “se a Mãe fosse fictícia, seria fictícia também a carne… fictícia seriam as cicatrizes da ressurreição”” (Tract. In Ev. loannis, 8,6-7). Por outro lado, ela contempla com admiração e celebra com veneração a imensa grandeza conferida a Maria por Aquele que quis ser seu Filho. A expressão “Mãe de Deus” remete ao Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à filiação divina. Mas esse título, à luz da dignidade sublime conferida à Virgem de Nazaré, proclama também a nobreza da mulher e sua altíssima vocação. Com efeito, Deus trata Maria como pessoa livre e responsável, e não realiza a Encarnação de seu Filho senão depois de ter obtido o seu consentimento.

Seguindo o exemplo dos antigos cristãos do Egito, os fiéis entregam-se àquela que, sendo Mãe de Deus, pôde obter do divino Filho as graças da libertação dos perigos e da salvação eterna.

Extraído do livro A virgem Maria de São João Paulo II.

Fonte: Site Canção Nova

Santa Missa: perfeita Oferenda a Deus

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A MISSA É O ATO de culto mais importante que existe na face da Terra. É portanto, o que há de mais importante na Religião. É da Santa Missa que nos vêm, direta ou indiretamente, todas as graças que recebemos, já que é a frequente renovação incruenta (isto é, sem sangue nem sofrimento) do Sacrifício do Calvário.

Na cruz, Nosso Senhor jesus Cristo se ofereceu em Sacrifício à Santíssima Trindade. E esse Sacrifício tem um valor infinito, pois Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. No Sacrifício da cruz, Nosso Senhor era a um só tempo Sacerdote e Vítima.

Sacerdote sem mácula, perfeita e infinitamente santo, Mediador perfeito entre Deus e os homens. Vítima igualmente perfeita, obedecendo até a morte e morte de cruz para o nosso bem. – Para nos dar a vida eterna. – Na cruz, Cristo adorou perfeitamente à Santíssima Trindade. Na cruz,  realizou uma ação de graças perfeita à Santíssima Trindade. Na cruz, Cristo obteve para nós o perdão dos nossos pecados, satisfazendo por eles com seus sofrimentos, mas sobretudo com seu Amor/caridade perfeito para com Deus e para com os homens. Na cruz, Cristo nos alcançou da Santíssima Trindade, por seus méritos sem medidas, todas as graças de que precisamos para nos salvar.

É pela Missa que podemos nos unir ao Sacrifício de Cristo no Calvário, pois a Missa é a renovação desse único e definitivo Sacrifício. tudo o que Cristo fez na cruz nos é aplicado pela Santa Missa: Sacrifício que é renovado no momento da Consagração, o ponto mais alto e importante de toda celebração, toda oração, toda adoração e toda devoção católica. É o ápice, o fundamento e a essência de tudo que fazemos e podemos fazer para agradar a Deus. É a oportunidade que temos para adorar a Deus perfeitamente, para agradecer por todos as graças e benefícios.

É pela Santa Missa que alcançamos também o perdão de nossos pecados veniais e o arrependimento que nos leva à confissão dos pecados mortais.

A Santa Missa tem valor infinito. É graças à Santa Missa que podemos ganhar a vida eterna de felicidade no Céu, em Deus. Podemos, assim, compreender porque a Igreja nos exorta com tanta veemência a ir todos os domingos assistir Missa, sob pena de pecado grave. Salvo motivos de força maior, não deixemos jamais de assistir à Missa.

Para assistir à Missa com frutos, isto é, para agradar e ter verdadeira Comunhão com Deus, além de obter tantas graças e benefícios e o arrependimento dos nossos pecados, é recomendado que nos ofereçamos inteiramente a Nosso Senhor pelas mãos de Maria Santíssima. Devemos oferecer todos os nossos sofrimentos e alegrias, nossa inteligência, nossa vontade, tudo. Eis a união perfeita de nossas vidas ao Sacrifício de Nosso Redentor.

Por fim, na Missa, devemos pedir não só por nós, mas também pelos que nos são caros, pela nossa pátria, pelo mundo inteiro e (lembrar sempre disso) pelas almas que sofrem no Purgatório, especialmente as mais abandonadas. Devemos pedir pela conversão dos pecadores, pela perseverança dos justos e pelas almas que sofrem no outro mundo.

A verdadeira participação na Missa (expressão tão querida dos católicos de tendência modernista) consiste não em falar, cantar e expressar-se ruidosamente todo o tempo, mas sim em oferecer-se inteiramente a Deus, unindo-se ao Sacrifício de Cristo renovado sobre o Altar, para que venhamos a desfrutar, também com Ele, da alegria sem fim da Ressurreição, já neste mundo e depois, eternamente.

Fonte: Site O Fiel Católico