site Amigo da Luz

Autor do hino da JMJ da Polonia 2016 relata sua experiência com Deus

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Bem-aventurados os misericordiosos

Letra
“Eu lia a Palavra de Deus enquanto pedia a proteção a Ele para realizar meus sonhos, inclusive o de escrever o hino da Jornada Mundial da Juventude de Cracóvia 2016. E percebi: o Senhor me fez uma promessa. A confirmação foi uma frase da Bíblia com a qual Deus assegurou a Moisés que, no coração de cada artista, ele colocaria a sabedoria para que eles pudessem realizar o seu desígnio (Ex 31, 6-B). Confiante nesta motivação, eu peguei o violão e… o refrão estava pronto desde sempre”, disse Jakub Blycharz, autor do hino da Jornada Mundial da Juventude de 2016.
Blycharz, logo depois de ter vencido o concurso para o hino, conta que, antes de trabalhar na música, tinha buscado inspiração completamente na Sagrada Escritura. Foi assim que começou o trabalho com a música, cujo início se inspira no Salmo 121 (120). O refrão do hino contém um encorajamento a viver no seio da esperança e da confiança, que advêm da Ressurreição de Cristo.

Costanza D’Ardia com informações do site oficial da JMJ.

Site Aleteia

Terapia da tristeza

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Não é à toa que a depressão é considerada "o mal do século XXI": em um mundo cada vez mais egoísta e indiferente, a tristeza tem se alastrado como uma epidemia, destruindo famílias, amizades e muitos outros relacionamentos. Qual é, afinal, a cura para essa doença? Como a doutrina da Igreja e os conselhos dos santos podem ajudar as pessoas a superarem o luto e a angústia?
Conheça os remédios espirituais para lidar com vários tipos de tristeza: desde aquela ligeira angústia das tardes de domingo, até os ressentimentos mais profundos, causados pelo egoísmo e pela inveja.
A terapia para a tristeza enquanto paixão. – Para a tristeza passional, Santo Tomás de Aquino enumera remédios bastante "humanos", que vão desde o partilhar a dor com os amigos até um banho quente e uma boa noite de sono [1]. Diz ele que, "como qualquer repouso do corpo traz remédio a qualquer fadiga, provinda de qualquer causa não natural, assim também todo prazer é remédio que alivia qualquer tristeza, seja qual for sua origem" [2].
Um dos remédios aqui elencados pelo Doutor Angélico, no entanto, é de suma importância para entender a cura da tristeza doentia: trata-se da contemplação da verdade. Quanto mais se estuda as verdades de fé, quanto mais se reza e "quanto mais perfeitamente se ama a sabedoria" [3], mais "se exorcizam" as tristezas de nossas almas. É que toda tristeza – esteja ela nos sentimentos ou na vontade – consiste em fechar-se em um mundo distante da realidade.
A terapia para a inveja. – Exemplo prático disso é o pecado da inveja, que é, uma tristeza em relação ao bem alheio. Sobre este pecado, João Cassiano alerta que é mais difícil obter a sua cura que a dos outros vícios, já que foi a invidia o primeiro pecado de Satanás na terra, como atesta o Autor Sagrado: "Foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo, e experimentam-na os que são do seu partido" (Sb 2, 24). Continua Cassiano:
"De todos os vícios, de fato, o mais pernicioso e do qual é mais difícil se purificar é a inveja, a qual é acesa justamente pelos remédios que extinguem os outros vícios. Assim, por exemplo, se alguém se queixa de ter sofrido algum dano, a generosidade lhe oferece uma compensação, e ei-lo curado de seu mal. Se um outro se indigna, diante de uma injúria que lhe tiver sido feita, uma humilde satisfação o apazigua. Mas, que podes fazer a alguém que se ofende exatamente por ver-te mais humilde e mais agraciado (...), a quem se irrita tão somente com o sucesso da prosperidade alheia?" [4]
Em uma exortação a seus irmãos frades, São Francisco de Assis ordena que se evite o pecado da inveja, pois "todo aquele que inveja seu irmão pelo bem que o Senhor diz e faz nele, incorre no pecado de blasfêmia, porque inveja o próprio Altíssimo, que diz e faz todo bem" [5]. De fato, ao entristecer-se com o bem do outro, o invejoso "reclama" de Deus, já que é por decreto de favor divino que as pessoas são abençoadas.
O remédio da solidariedade. – Neste ponto, é possível perceber um componente de ira dentro da inveja. O invejoso se entristece e ao mesmo tempo se irrita com a bênção alheia. A sua cura se encontra, portanto, no relacionamento com as outras pessoas, na solidariedade com os outros. São Máximo, o Confessor, diz que:
"Também a tua inveja pode deter-se, se te alegrares por aquilo por que se alegra quem é invejado por ti, e se também te entristeceres por aquilo por que ele se entristece, cumprindo assim a palavra do Apóstolo: 'Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram' (Rm 12, 15)." [6]
Assim, quando algo acontece a si ou aos seus, as pessoas são tentadas a perguntar: "Por que comigo? Por que com os de minha família?" Quase não percebem que elas se fecharam em um mundo irreal, onde se tornaram como que "deusas intocáveis", a quem nada pode atingir ou fazer mal. Se, porém, essas pessoas entrarem em um mínimo contato que seja com a realidade, verão que todos os seres humanos estão suscetíveis aos males e desgraças desta vida, e que elas não eram assim tão especiais quanto imaginavam. As tragédias e eventualidades da vida podem abrir os seus olhos, chamando-as à solidariedade com o próximo e servindo de remédio para a sua doença.
O remédio da gratidão. – Enzo Bianchi, ao falar sobre a cura para a inveja, aponta outro remédio: o da gratidão. Diz ele que "matou o sentimento da inveja em si mesmo quem souber dizer: 'Aquilo que eu pude fazer de bem, eu o fiz graças aos outros que estão comigo: sem estes meus irmãos, sem estes meus amados, não poderia fazer aquele pouco de bem que realizei" [7]. Um dos passos da terapia, portanto, consiste em ser agradecido pelo dom do outro, enxergando a realidade sempre com um coração eucarístico, em constante ação de graças.
O remédio do amor. – A tristeza pecaminosa faz as pessoas deslizarem para um mundo paralelo, do qual desaparecem todas as realidades eternas. São Gregório Magno, em seu famoso e extenso comentário moral ao Livro de Jó, ensina a "quem quer ser totalmente liberto da peste da inveja" que "ame aquela herança que não diminui com o crescimento do número de herdeiros" [8]. O grande Papa e Doutor da Igreja vê na raiz do pecado da inveja o apego às coisas materiais. De fato, nos bens terrenos, o ter de um é muitas vezes associado ao mal e à privação por parte de outrem. Assim, se um indivíduo só recebe uma herança, ele tem tudo; se, porém, descobre um coerdeiro, é obrigado a repartir metade do que tem com ele. Para vencer a inveja, pois, é preciso elevar os olhos àquela herança "que não diminui com o crescimento do número de herdeiros". Ou seja, com os bens espirituais, acontece o contrário do que se dá com os objetos materiais: quando se dá Deus a uma pessoa, aumenta a caridade na alma de quem dá e cria-se a caridade na alma de quem recebe; se, por outro lado, se deseja o mal eterno a alguém, o primeiro a ganhar o mal é quem amaldiçoa, porque Deus e o ódio não podem conviver em um mesmo lugar.
Continua São Gregório: "Quae si perfecte in amore coelestis patriae rapitur, plene etiam in proximi dilectione sine omni invidia solidatur – Quem é perfeitamente arrebatado pelo amor da pátria celeste, torna-se plenamente solidário no amor ao próximo, sem nenhuma inveja" [9]. A cura da tristeza está, pois, no amor. Os marxistas acreditam que a fé na vida eterna "aliena" os homens e faz com que eles se esqueçam desta vida. O que acontece, porém, é o contrário: só de olhos fixos no Céu é possível resolver os antagonismos e os conflitos deste mundo. Para uma ideologia que vive em torno da inveja, é muito difícil aceitar isso. O teórico Pierre Bourdieu († 2002) insistia em que se falasse sobre o tema dos "excluídos" porque, de fato, todos podem sentir-se excluídos por alguma coisa e é esse sentimento de insatisfação – que degenera em ódio, guerras e destruição – o combustível para a revolução marxista.
O remédio para a "luta de classes" preconizada por Marx está na "contemplação da verdade", apontada por Santo Tomás: a realidade mais verdadeira que os homens devem ter diante de si é a grandeza de sua vocação, a efemeridade deste mundo e a bem-aventurança eterna da qual Deus nos quer fazer partícipes.
O remédio do arrependimento. – Para quem investiu toda a sua vida em alegrias passageiras, há uma solução: recorrer à verdadeira alegria, trilhando a senda do arrependimento. O místico São João Clímaco fala do πένθος (pénthos) [10], que não é senão o luto sadio do filho pródigo, que deixa de comer a lavagem dos porcos e volta para a casa do pai, onde é recebido com festa (cf. Lc 15, 11-32).
Atente-se que, diante da alegria com que é recebido de volta o irmão mais novo, o filho mais velho se entristece, não querendo entrar no festim de seu pai. Existem, portanto, uma tristeza que conduz à salvação e outra que conduz à morte. Na história da salvação, várias personagens representaram essa tristeza pecaminosa – de Caim a Saul, dos carrascos de Jesus aos perseguidores dos Apóstolos. Os seus exemplos, porém, são sinal de uma única e fatal tristeza: a que não reconhece a alegria do Evangelho e a verdade que, contemplada pelos homens, leva-os ao Céu.

Referências
Cf. Suma Teológica, I-II, q. 38.
Suma Teológica, I-II, q. 38, a. 1.
Suma Teológica, I-II, q. 38, a. 4.
Conferências, XVIII, 17 (PL 49, 1122-1123).
Admoestações, 8 (FF, 157).
Centúrias sobre a Caridade, III, 91 (PG 90, 1046).
BIANCHI, Enzo. Una lotta per la vita: conoscere e combattere i peccati capitali. San Paolo, 2011, p. 184.
Moralia in Iob, V, 86 (PL 75, 729).
Id. (PL 75, 730).
Cf. Escada do Paraíso, VII (PG 88, 801-828).

Site Pe. Paulo Ricardo

O Purgatório nas Escrituras

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A Palavra de Deus nos ensina que somente aqueles que estão puros, ou seja justificados, podem herdar a vida eterna e consequentemente terem acesso à visão beatífica de Deus (Sl 14; Hb 12,22-23; Mt 5,8). Infelizmente, também é verdade, pouquíssimos cristãos partem desta vida totalmente reconciliados com Deus e com os irmãos. O Senhor vem então, em socorro de nossas fraquezas, com sua misericórdia, permitindo que aqueles que estão destinados ao céu, ou seja que procuraram pautar suas vidas pela mensagem e vivência evangélica, mas que ainda carregam em si algumas imperfeições e pecados, possam ser purificados, de algum modo, após a morte. O purgatório é portanto, uma exigência da razão e mesmo de caridade de Deus por nós. Hoje, infelizmente, muitos negam a realidade do purgatório, afirmando que o mesmo não se encontra na Bíblia. O termo “purgatório” não existe na Bíblia, mas a realidade, o conceito doutrinário deste lugar de purificação existe. Examinemos:
“Todo o que tiver falado contra o Filho do homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste mundo, nem no mundo vindouro.” (Mt 12,32).
O pecado contra o Espírito Santo, ou seja a pessoa que recusa de todas as maneiras os caminhos da salvação, não será perdoado nem neste mundo, nem no mundo futuro. Acena o Senhor Jesus neste trecho implicitamente, que há pecados que serão perdoados no mundo futuro, i.é, após a morte. Ver também Mc 3,29.
“Mas, se o tal administrador imaginar consigo: ‘Meu senhor tardará a vir’. E começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar (…) e o mandará ao destino dos infiéis. O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes. Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, mais se há de exigir.” (Lc 12,45-48).opurgatorio
Nesta parábola, o administrador é o ministro da Igreja (quatro versículos acima Pedro pergunta ao mestre: “Senhor é para nós que estás contando esta parábola?”, ao que Jesus responde: “Qual é então Pedro, o administrador fiel que o Senhor constituirá sobre todo o seu pessoal?”). Pois bem, o ministro de Deus que for infiel, receberá a visita do seu Senhor “no dia em que não o esperar” (dia de sua morte). E o Senhor o “mandará ao destino dos infiéis” (Inferno). Porém a parábola acena que haverá outros tipos de administradores, e outros tipos de destino. Aquele que conhece a vontade de Deus mas não se preparou como convinha para a sua volta, será açoitado “com numerosos golpes”. Aquele que ignora a vontade de seu Senhor e fizer coisas repreensíveis, será açoitado com “poucos golpes”. Portanto após a morte dos administradores da casa de Deus, uns serão condenados ao inferno, outros serão punidos, uns mais, outros menos, conforme o merecimento de cada um, mas não compartilharão o “destino dos infiéis”. Após a morte, portanto, haverá de haver algum lugar ou “estado” onde os administradores pouco fiéis haverão de ser purificados.
“Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele não te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo.” (Lc 12,58-59).
Nesta parábola, o Senhor Jesus ensina que, enquanto estivermos nesta vida, devemos ter sempre uma atitude de reconciliação com os nossos irmãos de caminhada. Devemos sempre entrar “em acordo” com o próximo, pois caso contrário, ao fim da vida seremos entregues ao juiz (Deus), que por sua vez nos entregará ao executor (seu anjo) e este nos colocará na prisão (purgatório); dali não sairemos até termos pago à justiça divina toda nossa dívida, “até o último centavo”. Mas um dia haveremos de sair. A condenação neste caso não é eterna. Ver também Mt 5,21-26 e 18,23-35.
“Eu porém vos digo: todo aquele que se encolerizar contra o seu irmão terá de responder no tribunal. Aquele que chamar a seu irmão: ‘cretino’, estará sujeito ao julgamento do Sinédrio. Aquele que lhe chamar: ‘louco’, terá de responder na geena de fogo (…) Assume logo uma atitude reconciliadora com o teu adversário, enquanto estás a caminho, para não acontecer que o adversário te entregue ao juiz e o juiz ao oficial de justiça e, assim, sejas lançado na prisão. Em verdade te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo” (Mt 5,22.25-26).
Jesus nos ensina que a ira contra nossos irmãos e as ofensas que a eles fizermos, merecem toda a reprovação por parte do Pai celeste. Ao chamarmos nosso irmão de “louco” teremos de responder na geena de fogo. O fogo sempre foi, em todos os tempos, e também na Bíblia um símbolo de purificação. Evidente que ninguém é condenado ao inferno para todo o sempre, somente porque chamou o seu próximo de “louco” (senão todos estaríamos condenados). A chave deste ensinamento se encontra na conclusão deste discurso de Jesus: serás lançado na prisão (nesta “geena de fogo”), e dali não se sai “enquanto não pagar o último centavo”.
“Quanto ao fundamento, ninguém, pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) demonstra-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo” (1Cor 3,10-15).
Paulo fala dos pregadores do Evangelho, que haveriam de edificar a Igreja sobre os alicerces lançados por ele durante suas viagens missionárias. Uns edificariam com muito zêlo (com ouro, prata e pedras preciosas), outros seriam porém, pouco zelosos (edificando com madeira), outros seriam negligentes (edificando a Igreja com feno ou palha). De qualquer forma o “dia do Julgamento” demonstraria o que “vale o trabalho de cada um”. Se a construção resistir, isto é se o ministro edificou com amor, “o construtor receberá a recompensa”. Se o ministro foi pouco zeloso pela Igreja, “arcará com os danos”. Porém ele será salvo apesar de tudo. Como? Sendo purificado, ou seja, “passando de alguma maneira através do fogo”, isto é, após o dia do julgamento particular, alguns ministros de Deus deverão ser purificados devido ao pouco zêlo para com as coisas da Igreja de Deus.
“Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados (…) padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos na prisão, aqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes (…) Por isto foi o Evangelho pregado também aos mortos; para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito.” (1Ped 3,18-19; 4,6).
Esta “prisão” ou “limbo dos antepassados”, onde os espíritos dos antigos estavam presos, e onde Jesus Cristo foi pregar durante o Sábado Santo, é figura do purgatório. Com efeito, o texto menciona que Cristo foi pregar “àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes”. Temos, portanto, um lugar onde as almas dos antepassados aguardavam a salvação. Não é um lugar de tormento eterno, portanto não é o inferno. Não é um lugar de alegria eterna na presença de Deus, portanto ainda não é o céu. Mas é um lugar onde os espíritos aguardavam a salvação. Salvação e purificação comunicada pelo próprio Cristo. Por isto, declara o apóstolo, foi o “Evangelho pregado também aos mortos (…) para que vivam segundo Deus quanto ao espírito”.
“Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados [dos soldados mortos em batalha]: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas” (2Mac 12,43-46).
O general Judas Macabeu (160 a.C), herói do povo judeu, faz uma grande coleta e a envia para Jerusalém, para que os sacerdotes ofereçam um sacrifício de expiação pelos pecados de alguns soldados mortos. Fica claro no texto que os judeus oravam pelos seus mortos e por eles ofereciam sacrifícios. Fica claro também que os sacerdotes hebreus já naquele tempo aceitavam e ofereciam sacrifícios em expiação dos pecados dos falecidos e que esta prática estava apoiada sobre a crença na ressurreição dos mortos. Subentende este texto que as almas dos soldados mortos estavam em algum local ou “estado” de purificação, pois se estivessem nos céus, as oração dos vivos eram desnecessárias, e se, por outro lado estivessem no inferno, toda oração seria inútil. E como o livro dos Macabeus pertence ao cânon dos livros inspirados, aqui também está uma base bíblica para a oração em favor dos falecidos.
“De outra maneira, que intentam aqueles que se batizam em favor dos mortos? Se os mortos realmente não ressuscitam, por que se batizam por eles?” (1Cor 15,29).
Paulo cita aqui, uma prática cuja índole na verdade desconhecemos. Segundo alguns estudiosos, os primeiros cristãos preocupados com a sorte eterna de seus pais ou avós que não haviam conhecido o Evangelho e, consequentemente, não puderam ser batizados, praticavam algum rito ou oração para que seus parentes ganhassem de alguma forma a salvação, “batizando-se” no lugar deles. O apóstolo Paulo não condena este “batismo” pelos falecidos, antes, lança mão justamente dele como argumento precioso da fé dos cristãos na ressurreição geral dos mortos. De fato, esta prática demonstra a preocupação dos primeiros cristãos com relação à salvação de seus pais, antepassados e amigos, traduzida em algum rito ou oração pelos mortos, por nós hoje desconhecida.
A oração pelos mortos aliás, era uma prática constante entre os primeiros cristãos, como atestam ainda hoje inscrições em numerosos túmulos e arcas funerárias cristãs daqueles primeiros tempos, bem como em textos dos primórdios que chegaram até nós. Eis alguns exemplos:
“Oferecei também a régia Eucaristia (…) oferecei-a orando pelos mortos” (Didascalía dos Apóstolos [meados do séc. III]).
“Caso (na Eucaristia) se faça a memória em favor daqueles que faleceram…” (Cânones de Hipólito [séc. III]).
“Por todos os defuntos dos quais fazemos comemoração, assim oramos: Santifica estas almas …” (Serapião de Tmuis [meados do séc. IV]).
“Oremos pelo repouso de … a fim de que Deus bom, recebendo a sua alma, lhe perdoe todas as suas faltas” (Constituições Apostólicas [séc. IV]).ocristodiantedamorte
“Os apóstolos instituíram a oração pelos mortos…” (S. João Crisóstomo [+407], In Philipp. III, 4).
“Desta afirmação (Mt 12, 31), podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras no século futuro” (S. Gregório Magno [séc. V], Dial. 4,39).
“O irmão que as compreender, queira orar por Abércio” (inscrição funerária cristã [séc. II]).
“Este túmulo, Iperéquio preparou-o para a sua benemérita esposa Albínula. Deus alivie o teu espírito” (inscrição funerária cristã [ano 268]).
“Jejuai todos por mim, a fim de que Deus seja misericordioso para com minha alma” (inscrição funerária cristã [séc. IV]). etc…
Conclusão: o cristão, que não ora pelos seus mortos, comete pecado contra a caridade que devemos ter para com os nossos irmãos falecidos, conforme o ensino bíblico:
“Dá de boa vontade a todos os vivos, e não recuses este benefício a um morto” (Eclo 7,37).
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Prof. Felipe Aquino
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Padre Nicola Bux: "Se queremos salvar almas, voltemo-nos para o catecismo"

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Uma afirmação ditada pela preocupação – que Bento XVI repete insistentemente – pelo futuro da fé, que parece apagar-se em amplas regiões da Terra. Há pouco mais de um mês, na ocasião da Quinta-Feira Santa, denunciou como estamos diante de um renovado analfabetismo religioso. Mas infelizmente este “acreditar do meu jeito” parece às vezes também incentivado por mestres do pensamento que, de dentro da Igreja, semeiam mais a sua própria palavra que a Palavra Divina. A própria Itália está se tornando um país “genericamente” cristão. É necessário, portanto, uma nova evangelização, graças também ao impulso do Pontifício Conselho constituído ad hoc pelo Papa.

Por onde começar? Talvez precisamente pela liturgia, pelo canto sagrado e por novos edifícios de culto, confiados a pessoas que unam fé e talento para propor formas que falem de Deus.

A fé e sua doutrina: aqui está o cerne da questão. Uma fé simples como a dos pastores, das mulheres e dos homens encontrados por Jesus. E não aquela de quem, por exemplo, afirma que a ressurreição de Jesus é apenas fruto da elaboração da experiência dos discípulos.

Por isso o Papa convocou um Ano da fé para que se volte a tomar nas mãos os ensinamentos do Vaticano II e, mais popularmente, do Catecismo. Os livros de pastoral e de sociologia religiosa, por si mesmos, nunca converteram ninguém. O que se requer, por outro lado, é o conhecimento de Jesus como pessoa histórica, humana e divina, que funda nossa fé. Diante de nossos olhos estão os fatos, diz Santo Agostinho, nas mãos, os escritos: e os primeiros são muito mais importantes que os últimos. Assim, contra a tendência atual, o cristianismo renasce e demonstra que contra a Igreja, divino-humana pela vontade do Fundador, as forças infernais non praevalebunt.

Referíamo-nos, portanto, ao analfabetismo religioso assinalado pelo Papa e pelos bispos e à exigência de combatê-lo com a doutrina cristã, com a “doutrina da fé”. O dicastério vaticano que recebeu este título de Paulo VI é um instrumento imprescindível para a nova evangelização. Bento XVI pediu a todos – bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos comprometidos – que trabalhem em uníssono, para além dos programas ou planos pastorais, com o Catecismo da Igreja Católica.

Não se vai a uma missão de modo disperso, mas todos juntos com o Papa; se se quer combater a secularização que incentivou o analfabetismo religioso, é necessário que nos adequemos a Jesus, que disse: “Minha doutrina não é minha, mas sim d’Aquele que me enviou” (João 7, 16). Por isso deve-se difundir o Catecismo, diz Bento XVI: “Não anunciamos teoria e opiniões privadas, mas sim a fé da Igreja da qual somos servidores”. Mas, sobretudo a alma cristã deve buscar o coração de Jesus para alcançar o coração das pessoas, como fizeram os santos que, exatamente por isso, são tão amados.

Mesmo assim há quem sustente que o cristianismo não serve para salvar a alma. Por isso o Papa, na homília da Missa do Crisma, usou uma expressão fora de moda: o zelo pela salvação das almas. “Não apenas nos preocupamos com o corpo, mas também das necessidades da alma do homem”. Jesus disse: “De que adiante ao homem ganhar o mundo inteiro se perde sua alma?”. Deste modo, deve-se compreender o valor e a importância dos sacramentos, que desde o nascimento até a morte, servem para salvar almas. Os sacerdotes terão ainda zelo suficiente para socorrer um moribundo com o fim de confessá-lo, dar-lhe a Unção e a Comunhão para a salvação de sua alma? A alma do homem é um lembrete de que não se pertence a si mesmo, mas a Deus. Assim, os sacerdotes não pertencem a si mesmos, mas a Jesus Cristo. Necessita-se da doutrina da fé, feita de conhecimento, competência, experiência e paciência. Necessita-se de um renovado impulso apostólico. O dom da fé não está separado do batismo.

De fato, o Papa lembrou ao clero romano que se o ato de crer é “inicial e principalmente um encontro pessoal” com Cristo, como nos descrevem os Evangelhos, “essa fé não é apenas um ato pessoal de confiança, mas também um ato que tem um conteúdo” e “o batismo expressa este conteúdo”. São Cirilo de Jerusalém recorda que nossa salvação batismal depende do fato de que tenha brotado da crucifixão, sepultura e ressurreição de Cristo, realmente ocorridas na esfera física: chama-se a isso de Graça, porque a recebemos no sacramento sem sofrer as dores físicas. Por isso adverte Cirilo: “Que ninguém pense que o batismo consiste apenas na remissão dos pecados e na graça da adoção, como era o batismo de João que conferia apenas a remissão dos pecados. Nós, por outro lado, sabemos que o batismo, assim como pode liberar dos pecados e obter os dons do Espírito Santo, é também figura e expressão da Paixão de Cristo”, como proclama Paulo (Romanos 6, 3-4). “Nós sabemos”, diz o santo bispo de Jerusalém: ao encontro pessoal como o Senhor e ao prosseguir para a salvação, segue necessariamente a doutrina que se transmite através da Escritura e da Tradição da Igreja.

Tudo isso está condensado no Catecismo. É necessário renovar a catequese e a liturgia para que Deus seja conhecido e amado. Isso quer dizer uma verdadeira devoção, necessária na liturgia atual, na celebração dos sacramentos. A devoção ou pietas está constituída pela oferta de si mesmo a Deus. Isso se expressa com o conjunto dos gestos e ritos percebidos como significativos para a vida: participar da Missa, pedir para que seja celebrada pelas próprias intenções, confessar-se e comungar, assistir a outras cerimônias, rezar e cantar hinos, freqüentar a catequese, praticar as obras de misericórdia, visitar um lugar onde se venera uma imagem sagrada ou o sepulcro de um santo taumaturgo, deixar uma oferta, acender uma vela, participar na procissão, levar a imagem sagrada sobre os ombros. Em suma, são estes sinais de invocação, de proteção, de agradecimento, os que fazem a verdadeira devoção que manifesta a fé que nos justifica diante de Deus e nos salva. O Ano da Fé será um tempo propício para isso.

O estudo do conteúdo da Fé – como sublinham especialmente os movimentos eclesiais – é necessário dentro da experiência da fé, para que se torne adulto na fé, superando aquela infância que leva muitos a abandonar a Igreja depois da Confirmação, tornando-se assim incapaz de expor e tornar presente a filosofia da fé, de dar razão dela aos demais. Ser adulto na fé, contudo, não quer dizer depender das opiniões do mundo, emancipando-se do Magistério da Igreja.

Por que ainda ocupar-se disso? Porque não é apenas um pensamento teológico, mas tronou-se a uma prática que penetrou lentamente em não poucos setores da vida eclesial. Um dos mais clamorosos é a doutrina sacramental: hoje, o sacramento já não é percebido como proveniente do exterior, do alto, mas como a participação em algo que o cristão já possui. E já que hoje se gosta tanto de olhar para o Oriente, deve-se dizer – ao menos por honestidade ecumênica – que, para a teologia oriental, o rumo antropológico conduzido pela teologia ocidental é um caminho equivocado; o único tema fundamental de toda a teologia de todos os tempos é, e deve continuar sendo, a Encarnação do Verbo, o princípio humano-divino que entrou no mundo “para nós, homens, e por nossa salvação”. O homem separado de Deus não tem possibilidade de sobreviver.Tudo isso está condensado no Catecismo. É necessário renovar a catequese e a liturgia para que Deus seja conhecido e amado. Isso quer dizer uma verdadeira devoção, necessária na liturgia atual, na celebração dos sacramentos. A devoção ou pietas está constituída pela oferta de si mesmo a Deus. Isso se expressa com o conjunto dos gestos e ritos percebidos como significativos para a vida: participar da Missa, pedir para que seja celebrada pelas próprias intenções, confessar-se e comungar, assistir a outras cerimônias, rezar e cantar hinos, freqüentar a catequese, praticar as obras de misericórdia, visitar um lugar onde se venera uma imagem sagrada ou o sepulcro de um santo taumaturgo, deixar uma oferta, acender uma vela, participar na procissão, levar a imagem sagrada sobre os ombros. Em suma, são estes sinais de invocação, de proteção, de agradecimento, os que fazem a verdadeira devoção que manifesta a fé que nos justifica diante de Deus e nos salva. O Ano da Fé será um tempo propício para isso.

O estudo do conteúdo da Fé – como sublinham especialmente os movimentos eclesiais – é necessário dentro da experiência da fé, para que se torne adulto na fé, superando aquela infância que leva muitos a abandonar a Igreja depois da Confirmação, tornando-se assim incapaz de expor e tornar presente a filosofia da fé, de dar razão dela aos demais. Ser adulto na fé, contudo, não quer dizer depender das opiniões do mundo, emancipando-se do Magistério da Igreja.

Por que ainda ocupar-se disso? Porque não é apenas um pensamento teológico, mas tronou-se a uma prática que penetrou lentamente em não poucos setores da vida eclesial. Um dos mais clamorosos é a doutrina sacramental: hoje, o sacramento já não é percebido como proveniente do exterior, do alto, mas como a participação em algo que o cristão já possui. E já que hoje se gosta tanto de olhar para o Oriente, deve-se dizer – ao menos por honestidade ecumênica – que, para a teologia oriental, o rumo antropológico conduzido pela teologia ocidental é um caminho equivocado; o único tema fundamental de toda a teologia de todos os tempos é, e deve continuar sendo, a Encarnação do Verbo, o princípio humano-divino que entrou no mundo “para nós, homens, e por nossa salvação”. O homem separado de Deus não tem possibilidade de sobreviver. Caso contrário, à força de se falar do homem, como aconteceu, já não se fala mais de Deus.

Publicado: por L’Osservatore Romano Fonte: Paparatzinger Tradução: William Bottazzini

O pecado da tristeza

Nem-toda-tristeza-é-ruim

Para quem crê no amor de Deus, há sempre algo de nocivo em alimentar a tristeza e mendigar o amor dos outros com vitimismos e ressentimentos.

Embora não estivesse no plano original do Criador, a tristeza, enquanto paixão, é uma realidade moralmente neutra, como já se falou na última aula. Para que seja pecaminosa, torna-se necessário o concurso da inteligência e da vontade.
Antes, porém, de falar sobre como a tristeza assume o caráter de doença espiritual, importa distinguir que a palavra "pecado" – entre múltiplas classificações possíveis [1] – pode ser usada para se referir:
ao pecado original, que, em toda a humanidade, com exceção de Adão e Eva, não é uma falta cometida, mas simplesmente contraída, herdada;
ao pecado pessoal (também chamado de atual) que "é aquele que o homem, chegado ao uso da razão, comete por sua livre vontade" [2]; ou ainda
aos chamados pecados capitais (às vezes simplesmente chamados de vícios), que são as "doenças espirituais" propriamente ditas.
No que diz respeito a essa última acepção, a tristeza – bem como os outros pecados capitais – pode estar alojada na alma, ainda que esta se encontre em estado de graça. Assim é, porque o pecado capital se trata de um hábito, uma tendência que provém do pecado e conduz a ele – dependendo da liberdade do indivíduo para se transformar em ato.
Convém explicar que as paixões podem ser antecedentes ou consequentes à intervenção da inteligência e da vontade. Tome-se como exemplo o pecado da luxúria. Nem todos os movimentos carnais – ou, em uma linguagem mais popular, nem toda excitação – são provocados. O simples sentir não é pecado, mas o consentir. Só se peca quando, diante da percepção do movimento carnal, se passa a alimentar a fantasia.
O mesmo ocorre com a tristeza. Pode ser que, por razões físicas – o cérebro não esteja produzindo serotonina como deveria, por exemplo –, uma pessoa caia em tristeza, sem que sequer se dê conta de que está triste. É quando ela toma consciência de seu estado e age deliberadamente para alimentá-lo, que acontece o pecado. Por isso, São Paulo escreve, em sua Carta aos Filipenses: "Alegrai-vos sempre no Senhor!" (Fl 4, 4). De fato, para quem crê no amor de Deus, há sempre algo de malsão em entristecer-se propositalmente e mendigar o amor dos outros por meio de vitimismos.
Nem toda tristeza, porém, é má. Santo Tomás de Aquino define a paixão da tristeza simplesmente como uma dor interior diante de um mal. Se este mal é um mal verdadeiro, Tomás enxerga, com perspicácia, a existência de uma tristeza boa. Diz ele:
"A tristeza tem utilidade, se é por causa de um mal a evitar. (...) Assim, a tristeza do pecado é útil para o homem fugir do pecado, segundo diz o Apóstolo, em 2 Cor 7, 9: 'Alegro-me não de que vocês estejam tristes, mas de que vossa tristeza vos levou à penitência'." [3]
Assim, quando alguém se entristece porque perdeu o sumo Bem, essa tristeza o leva de volta para casa, como fez o filho pródigo (cf. Lc 15, 11-32). Esse luto também é chamado pelos padres gregos de πένθος (pénthos) e está ligado ao dom de lágrimas.
Quando, porém, o que a pessoa perde é um bem aparente, como que um lobo vestido em pele de cordeiro (cf. Mt 7, 15), tem-se a tristeza ruim. Explica Santo Tomás que "assim como a tristeza pelo mal procede de uma vontade e de uma razão reta, que detestam o mal, assim a tristeza pelo bem procede de uma razão e vontade perversa, que detestam o bem" [4]. O pecado da tristeza, portanto, está ligado mais a "uma razão e vontade perversa" do que propriamente à paixão presente na alma.
Por isso, São Paulo fala de duas tristezas (cf. 2 Cor 7, 10): uma que é segundo a carne ("κόσμου λύπη", kosmou lipe) e uma que é segundo Deus ("Θεὸν λύπη", Teón lipe).
Noutro lugar, o Aquinate ainda fala sobre as espécies de tristeza [5], dentre as quais se destacam:

A acídia [6], que se entristece com o bem divino;
A inveja [7], que se entristece com o bem do próximo.
Cabe esclarecer que o Doutor Angélico segue aqui a classificação tradicional, tal como encontrada em São Gregório Magno [8] e nos demais padres latinos. Em João Cassiano [9], Evágrio Pôntico e nos outros padres gregos, porém, a distinção entre as espécies de tristeza é um pouco mais nebulosa e a acídia figura apenas como uma espécie de tristeza mais grave. Santo Tomás, distinguindo os diferentes objetos das tristezas, consegue ser mais cirúrgico nessa questão.

Tomás também enumera, citando o Papa Gregório, as filhas espirituais da inveja, que são "o ódio, a murmuração, a detração, a satisfação com as adversidades alheias e a decepção com a sua prosperidade" [10]. Afinal, é isto o que constitui um vício capital, a saber, o fato de que eles "geram outros pecados, outros vícios" [11].

Referências

Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1853; Suma Teológica, I-II, q. 72.
Catecismo de São Pio X, 946.
Suma Teológica, I-II, q. 39, a. 3.
Suma Teológica, I-II, q. 39, a. 2, ad 2.
Cf. Suma Teológica, I-II, q. 35, a. 8.
Cf. Suma Teológica, II-II, q. 35.
Cf. Suma Teológica, II-II, q. 36.
Cf. Moralia in Job, XXXI, 87: PL 76, 621.
Cf. Conlatio, V, 2: PL 49, 611.
Suma Teológica, II-II, q. 36, a. 4.
Catecismo da Igreja Católica, 1866.
Bibliografia

LARCHET, Jean-Claude. Terapia delle malattie spirituali. Un'introduzione alla tradizione ascetica della Chiesa ortodossa. San Paolo Edizioni, 2003. 814p.

Site Pe. Paulo Ricardo